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Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria


Quando a arte renova o mundo: "A Bolha", de Maitê Dallagnolo


Publicado 10/12/2025 11:00

 

Há uma chama específica que se acende em mim quando cruzo com almas artísticas, especialmente aquelas que ainda carregam o frescor da juventude. Confesso que, diante da criatividade alheia, sinto o peso da minha própria solidão criativa se dissipar. Sou invadido por um entusiasmo vital, uma certeza silenciosa de que não estamos sós nesta trincheira de sensibilidade.

Hoje, quero ceder este espaço no VersoLuz para apresentar o talento de Maitê Dallagnolo.

Maitê não é apenas uma jovem; é uma artista multifacetada que compreende, intuitivamente, o poder da composição. Recentemente, tive o prazer de conhecer sua canção "A Bolha", escrita originalmente para um teatro musical escolar.

A obra narra a história de um grupo de amigas unidas pelo sonho e pela arte, que alugam um espaço para ensaios. Entre conflitos internos e a chegada de uma carta de despejo — o choque de realidade — o grupo enfrenta a ruptura. A música captura exatamente esse momento de tensão, despedida e a melancolia do fim de um ciclo.

Leiam com atenção a maturidade destes versos:

A Bolha 🎼

Por Maitê Dallagnolo

Tanto tempo passou 

Muitas coisas pra pensar 

Tudo podia mudar mais não mudou 

Acho que a bolha tava prestes a estourar 

Não dá mais, não dá mais pra fingir 

O que foi não vai voltar 

Mas vou lembrar q algum dia pode ter sido meu lugar

 

Será que não dá de enxergar 

O mundo lá fora e mudar sem brigar 

 

Quer saber, não importa mais até por que…

 

…Não dá mais não dá mais de fugir infelizmente vai ter que acabar 

 

(Personagem da primeira parte fica sozinha pq todas vão embora, uma líder fica e canta a última parte) 

 

Não chore não 

Tudo vai passar mas pense que sempre vou me lembrar 

 

De um sonho que quase foi se realizar.

 

 

É tocante perceber como a arte de Maitê traduz a fragilidade das relações e a dor necessária do crescimento. A "bolha" que estoura não é apenas o fim de um grupo, mas a metáfora perfeita para as ilusões que precisamos deixar para trás ao amadurecer.

Ao ouvir e ler Maitê, renovo meus votos de esperança. Que a arte nunca morra. Que ela continue sendo o antídoto que preenche os corações e ocupa os espaços vazios da sociedade.

Precisamos de mais canções, mais teatros, mais poemas. Precisamos ocupar com cultura os lugares que hoje são tragados pelo medo, pela violência e pela ignorância. Enquanto houver jovens como Maitê transformando conflitos em música, o mundo terá salvação.

 


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