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A bordo do esporte

Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race


Barco Brasil fica em segundo em chegada em Sydney na Volta ao Mundo


Publicado 17/12/2025 20:55

O Barco Brasil segue na liderança da Globe 40 entre os barcos Sharp. O representante brasileiro na regata de volta ao mundo em duplas completou a terceira perna nesta quarta-feira (17/12), chegando a Sydney (Austrália) após 24 dias, 15 horas e 33 minutos de navegação desde a Ilha da Reunião. Foi o segundo da categoria Sharp a cruzar a linha de chegada, atrás do francês Free Dom.

Na classificação geral, que une as categorias Sharp e Scow, os brasileiros aparecem agora em terceiro lugar. Devido a uma quebra do mastro, a equipe alemã Next Generation teve que abandonar a perna e retornar à Ilha da Reunião para reparos no barco. A travessia da Ilha da Reunião, na costa africana banhada pelo Oceano Índico, até a Austrália foi marcada por dificuldades técnicas e forte desgaste físico nas 5.120 milhas náuticas, aproximadamente 9.482 quilômetros. 

O Barco Brasil enfrentou problemas de mau funcionamento do Efoy, uma pilha de combustível responsável por parte da energia elétrica a bordo. Para poupar as baterias, os velejadores decidiram manter desligados quase todos os equipamentos durante a noite. José Guilherme Caldas e Luiz Bolina também dispensaram o uso do piloto automático e pilotaram manualmente o barco durante longos períodos. A medida trouxe mais cansaço físico e criou uma clara desvantagem em relação aos adversários.

“Foi uma etapa extremamente dura. A falta de energia nos forçou a navegar no limite físico, com muito menos descanso do que o normal. Mesmo assim, conseguimos manter o barco competitivo o tempo todo”, afirmou José Guilherme Caldas, comandante do Barco Brasil.

 Ação entre amigos

Outro obstáculo importante foi a avaria em uma vela balão, que seria fundamental para o desempenho nos ventos mais fortes próximos à costa australiana. A equipe precisou utilizar uma vela reserva, menos adequada a essas condições, e ainda cumprir uma penalidade regulamentar de cinco horas parados na chegada a Sydney.

A espera foi tensa: enquanto aguardavam a liberação para voltar a velejar, viram o barco Wilson Around the World se aproximar perigosamente. A retomada da navegação aconteceu apenas nos minutos finais, resultando em uma chegada emocionante e disputada.

“Foi angustiante ficar parado vendo outro barco se aproximar. Quando finalmente pudemos acelerar, foi uma mistura de alívio, adrenalina e emoção. Cruzar a linha nessas condições teve um sabor muito especial”, relatou Luiz Bolina.

 O revés teve um lado positivo. Amigos dos velejadores se organizaram em um grupo de WhatsApp para arrecadar apoio financeiro, viabilizando a compra de uma nova vela balão em Sydney, em uma iniciativa espontânea de patrocínio informal que reforçou o espírito coletivo em torno do projeto. 

Luto

Em meio às dificuldades técnicas, a equipe também viveu um momento de forte carga emocional. Durante a perna até Sydney, faleceu Francisco G. de Amorim, tio de José Guilherme Caldas, autor do livro “Mussulo: Um Abraço à Vela”, sobre a travessia em solitário do Brasil a Angola, e um dos grandes incentivadores da trajetória do comandante na vela oceânica. O luto acompanhou os dias finais da travessia e transformou a chegada à Austrália em uma homenagem silenciosa.

“Cada milha dessa etapa foi dedicada a ele. Pensar no apoio que sempre recebi do meu tio me deu força para seguir em frente, mesmo nos momentos mais difíceis”, declarou Caldas.

 


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