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Magru Floriano é graduado em História e Pedagogia, pos-graduado em Educação e Marketing, mestre em Educação. Professor universitário aposentado. Colunista e repórter desde a década de 1970


Pagando a iluminação pública


Publicado 06/02/2026 22:41

Poucas pessoas param um tempinho para estudar os boletos que pagam automaticamente no início de cada mês. Pagam apressadamente pelo banco digital, e, nem tomam consciência de quanto recolhem, por exemplo, de impostos e taxas. Esse é o caso da conta da energia elétrica que teima bater em nossa porta todos os meses. Uma fatura bombada com energéticos como PIS, COFINS, ICMS e a COSIP - Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública.

No mês de fevereiro a fatura emitida pela Celesc me cobrou um valor total de R$ 242,79 sendo R$ 14,04 referente ao pagamento da COSIP. Isso mesmo, eu paguei um pouquinho mais do que catorze reais para andar o mês inteiro pelas ruas de Itajaí, a qualquer hora da noite, contando com uma excelente iluminação. Paguei menos de cinquenta centavos por dia para ter ruas iluminadas, auxiliando na minha segurança pessoal e possibilitando diversas atividades em horários noturnos, como caminhadas, idas a eventos e restaurantes ...

Quando nasci, em rua de terra batida do Bairro São João, ainda não exista a Iluminação Pública. Era comum, portanto, as famílias se recolherem muito cedo, indo ‘dormir com as galinhas’ como se dizia no antigamente. Dormia-se cedo e acordava-se cedo porque a luz elétrica era servida de forma precária nos espaços privados e principalmente nos espaços públicos. As famílias mais abastadas, com residências no perímetro urbano central, eram bem servidas por esse serviço, mas na medida que a residência se afastava do Centro as dificuldades iam aumentando. Por conta do dinheiro escasso era comum o berro ‘apague a luz’.

Na minha família era tradição os meninos (4 irmãos) acompanharem as meninas (3 irmãs) nos seus compromissos após as 18 horas. Muitas ruas não possuíam iluminação pública, o sistema apresentava muitas falhas – como lâmpadas queimadas e depredadas. A cidade apresentava alguns ‘pontos cegos’. No início tínhamos de sair da Rua Max no escuro até chegar à Rua Blumenau, essa contando com iluminação pública adequada. Mesmo quando a iluminação chegou aos postes da Rua Max, as lâmpadas viraram troféus a serem conquistados pelos pretendentes a atiradores de elite. Fazia-se competição entre a molecada com funda para ver quem conseguia acertar a lâmpada. Ela era protegida na parte de cima por um prato esmaltado e por isso dizíamos que ficava todo ‘pinicada’ com as batidas das pedras. Era comum nas ruas do Bairro São João ter dois ou três postes seguidos com os pratos esmaltados descascados e as lâmpadas quebradas ou queimadas. O serviço de manutenção demorava um tempão, mesmo porque a própria demora era uma forma da concessionária punir a comunidade pela prática antissocial de seus ‘atiradores de elite’.

Agora, a cidade inteira está plenamente iluminada. E essa constatação vale para o Centro e os bairros, zona urbana e zona rural. Já não é comum a prática de depredação das lâmpadas por pretendentes a atiradores de elite da comunidade e o serviço de manutenção ganhou uma agilidade impressionante. Por tudo isso, podemos andar durante a noite como se fosse dia, pagando por este serviço a quantia diária de cinquenta centavos. Sem falar que o cidadão só paga a COSIP de sua cidade, podendo usufruir desse serviço gratuitamente em todas as demais cidades que frequentar no território brasileiro.

Pago cinquenta centavos por dia para ter a meu serviço um sol noturno. Vou reclamar de pagar a COSIP? Eu não reclamo não!

 


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