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JotaCê

JotaCê

JC é colunista político do Diarinho, o jornal que todo mundo lê, até quem diz que não. A missão do socadinho escriba é disseminar a discórdia, provocar o tumulto e causar o transtorno, para o bem da coletividade.

Desistiu


O ex-homem dos galináceos, prefeito Jandir Bellini (PP), não viajou pra cerimônia de assinatura de convênio entre o governo do Estado e a organização da regata Jacques Vabre, na França. Preferiu ficar em Itajaí neste momento delicado que vive a cidade, com a iminente paralisação dos servidores na manhã de hoje. As bocas maldosas estavam detonando que o alcaide tava lá na França, no nem te ligo pra situação.

Tia Dilma

Outro motivo pra que o alcaide não se ausentasse da city, foi o anúncio da presidente Dilma Rousseff (PT) de que haverá a liberação de recursos pra mobilidade urbana país afora. O burgomestre mandou todos os técnicos da prefa se coçarem pra que quando tocar a sineta da liberação do dindim federal, o município possa pleitear, através de projetos apresentados.

De 7% pra 9%

Em mais uma rodada de negociações entre prefa de Itajaí e o sindicato dos barnabés, muitos avanços foram conquistados: definição de Fórum permanente de Negociação com representantes de Governo e do Sindicato; definição de Data Base em 1º de maio; eliminação de déficit de Fiscais da Famai, agentes de Trânsito; do déficit de Agentes de Atividade em Educação; redefinição da lei que veta o pagamento de vale alimentação em casos de afastamentos por saúde (com comprovação), licença maternidade e paternidade e por motivo de falecimento de familiar e acréscimo de dois pontos percentuais no aumento já concedido. Portanto, o aumento aos funcionários passa de 7% para 9%.

Desafiador

Assisti sentado na primeira fila da casa piramidal do povo de Itajaí, o berreiro que fizeram na casa de leis. O presidente da casa, o topetudo Oswaldo Gern (PP), abriu a palavra aos líderes do movimento em uma atitude democrática poucas vezes vista. Os discursos foram calorosos e marcaram algumas diferenças.

Conciliador

Uma das falas poderia ser caracterizada como “desafiadora” - sugestões de de consultas populares, contribuições para as excelências excelentíssimas. Algumas sem pé nem cabeça, completamente inconstitucionais. Outra fala foi “contestadora” puxando confronto com nossos amados heróis legislativos, ainda que não fosse com a instituição câmara...

Contestador

E, o último blábláblá pode ser avaliado como “conciliador,” apresentando as críticas dentro de regras do jogo institucional e ponderando, talvez, o ponto central das manifestações Brasil afora: que o cidadão seja ouvido diretamente, que sua voz tenha eco, que os debates sejam construtivos e que os vereadores gravitem menos em torno de seus excelentíssimos umbigos, sendo menos partidários e mais representativos da população.

Na espinha

Esta é uma dura crítica aos edis atuais e aos anteriores que arrotavam que o aumento de vereadores iria ampliar a representação da população no legislativo. Todos os representantes foram unânimes ao dizer que isso não aconteceu.

Revisar posicionamentos

É importante que a casa do povo inicie um processo de revisão de sua conduta. Lá atrás teve vereador contrário ao aumento de vagas que afirmou que “quantidade não se converte em qualidade e que às vezes a piora”. Piorou mesmo...

Por outro lado...

...achei bem bacana a população participar da sessão na piramidal casa do povo, até porque os vereadores vivem se queixando da falta de público e prestígio no plenário. Mas acho que os manifestantes poderiam ter se organizado melhor para que as cobranças tivessem mais eficiência...

Carro na frente dos bois

Algo nos moldes do que foi feito na Maravilha do Atlântico, onde os manifestantes se reuniram primeiro na OAB para elaborar suas propostas e depois seguiram pra câmara pra fazer a cobrança. Em Itajaí fizeram o caminho inverso e acabaram atravessando o carro na frente dos bois.

Ensaiado

Lógico que a abertura de fala dos microfones na tribuna pública foi uma jogada e, achei pra lá de interessante, porque as pessoas – apesar das propostas - estavam ávidas igual pavão em dia de festa. Elas se importavam mais com a beleza de suas imagens na transmissão ao vivo pela TV Câmara, do que efetivamente em buscarem soluções aos problemas coletivos como o caso do transporte.

Inconstitucional

Ainda propuseram um projeto de lei para que os amados vereadores reduzam seus salários. Todos sabem que o vereador não pode legislar em causa própria e, por isso, no final de cada legislatura, os representantes do povo devem definir o valor de remuneração dos seus sucessores, inclusive o do prefeito.

Coçando o cocuruto

Fiquei coçando meu cocuruto e imaginando se o Nahor ou o Tiago, que também me pareceu ensaiando uma futura pretensão política, estariam propondo baixarem os seus salários, se eleitos fossem. Demagogia pouca é bobagem! Então vão cobrar algo que faça sentido aos zoios da lei e não o impossível...

Vice-versa

Embora eu também concorde que o salário do vereador deveria se equiparar ao dos professores, ou vice-versa, mas então aproveitem a dica e coloquem na pauta de sugestões para reforma política brasileira.

Alimento do conflito

Gritos daqui e dali e a sessão foi encerrada com muita habilidade política pelos vereadores. Sem confronto - a polícia militar de Sum Paulo demonstrou que o confronto é o alimento do conflito. Aqui, a polícia Militar, que se fazia presente, protegeu a todos, sem impedir as investidas de manifestantes.

Desconfiar das certezas...

Foi a reafirmação do direito ao berreiro, ao clamor, à discordância. Enfim atos de democracia por todos os lados. Muita coisa mudou, e é necessário compreender. O melhor caminho é desconfiar das certezas daqueles que apresentam respostas rápidas demais, todas como se fossem verdades absolutas.


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