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Entre o sim e o não da ficha limpa


Faço o meu momento de silêncio ao ex-vice-presidente José Alencar.

Hoje até poderia também falar de José Alencar, e lembrar-vos que em 2006 Lula fez de tudo para se livrar de Alencar. Procurava um vice que agregasse mais votos, não encontrando ficou com ele. Por outro lado o mesmo Lula chora como a perda de um irmão. Por fim, é louvável o lado humano da luta de Alencar contra o câncer. Enquanto a luta política é outros quinhentos.

Tautologicamente, a vida segue para os vivos. E por isso, retomo um assunto já tratado em outros artigos. Novamente me coloco contra a tão badalada ficha suja ou ficha limpa. Chamem do que quiserem. Ainda continuo pensando que ela é uma derrota para a democracia. Ou seja, a palavra democracia diante de seus diversos conceitos talvez possamos dizer que ela seja “liberdade”. Então, como democraticamente podemos inibir um direito? Ah! Mas o mesmo é ilícito para tal função. Portanto, entra aqui a minha explicação por ser contra. Penso que não devemos criar argumentos para coibir candidaturas, o que realmente precisamos é de conscientização.

Ao olharmos o número de assinaturas em alguns anos para a lei de iniciativa popular – o ficha suja –, é três vezes menor o número de votos num único dia para políticos que se enquadram na mesma. Logo, o que adianta ter três milhões de assinaturas se foram nove milhões de votos? Numa democracia nunca podemos colocar assinaturas acima de votos. Por outro lado, não estou aqui dizendo que devemos dar os respectivos cargos políticos pelo fato de ter sido eleito na urna. Novamente repito, não é isso que estou dizendo. O que precisamos fazer é conscientizar. Tendo um eleitorado consciente, o dia da eleição pode ter os mais corruptos inscritos, que serão eles mesmo os primeiros a não se candidatarem mais...

Ser ficha limpa é encarado como mais um discurso de político. Enquanto o ficha suja é auto-proclamado em toda mídia e consequentemente divulgado. Em outras palavras: o feitiço vira contra o feiticeiro. O eleitor só conhece seus deveres em época eleitoral. Depois todos falam que eles se esquecem de acompanhar. É uma culpa apenas do próprio eleitorado? Quando menciono tal questão não estou aqui querendo fazer revolução. Aos marxistas de plantão fiquem sabendo que vejo mais pela dinâmica habbermasiana. Ou seja, o nosso sistema político deve sim ser corrigido. Precisamos urgentemente de voto distrital. Precisamos de uma reforma política e não de ficha limpa para massagear o ego ou a consciência de algumas pessoas.

Depreendendo que as palavras são bonitas enquanto os atos são de teor utópicos. Fazemos barulhos para apenas dizer que estamos na sala e não que queremos arrumar a bagunça. Longe de mim querer invocar um demiurgo no Congresso. Quero apenas que o brasileiro, seja do sul ou do norte, tenha conhecimento e entendimento do que seja uma eleição. E essas “aulas” não podem vir de “jornais nacionais”. Não precisamos derramar sangue para colocar bons políticos. Porque mesmo que venhamos fazer isto eles voltarão com o tempo. Precisamos sim conscientizar a população. Educar, conversar e mostrar como fazer. Por conseguinte, principalmente neste caso, o gerar lei é contribuir com a corrupção.


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