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A política da prova de cuspe


 

A política, originário de Pólis [Politikós], se refere a tudo o que diz respeito à cidade. Isto quer dizer que política faz referência ao que é civil, público, urbano. É por isso que a política pode ser assumida como a arte da esperança, da promessa de um mundo melhor. Tudo o que indica as formas de se viver em grupo tem a cobertura da política como fenômeno de análise: família, grupos sociais, estado, governo, empresas...

É de se imaginar que a relação entre duas pessoas é mediada por poder, respeito, objetivos diferentes... É aí que entra a política para que as relações de poder e a distribuição do poder sejam formas de busca de consensos [ainda que se preservem as diferenças] e do equilíbrio diante das divergências. E todas as relações são moduladas por instituições. Estas instituições são os elementos que estruturam e organizam e provocam regularidade na trajetória de uma sociedade. Instituições são como caminhões enormes carregados de materiais físicos e valores orientadores ao comportamento.

A política distante destes parâmetros – busca de consensos e equilíbrio, a despeito de discordâncias – caminha para o autoritarismo, personalismo, vaidade e arrogância. Quando as instituições são coladas em dúvida são provocados dois pontos importantes. Um deles é que de fato as instituições podem perder seu sentido na medida das transformações sociais e aí sofrem transformações ou substituições. Outro ponto é que se as críticas endereçadas às instituições estão carregadas de personalismo, se as dúvidas servem para encapuzar os medos pessoais, as próprias instituições reagem e se fortalecem.

Se as urnas eletrônicas são passíveis de fraudes e se pode demonstrar com provas tais vulnerabilidades, ou ainda pior, se foram fraudadas e há provas, então tudo isso já deveria ter sido apresentado em nome do fortalecimento da política. Provas, lembremos, não são dúvidas pessoais, não são insatisfações, não são possibilidades, não são especulações; com provas não há contorcionismos. Provas são comprovações de ato que expõe a crueza de um crime contra as instituições e contra a política.

A grandeza de quem acusa está em provas irrefutáveis e que, ao se saber de crimes ou desvios, devem ser, imediatamente, apresentadas. O uso político da incerteza, da dúvida, dos riscos, dos perigos, do temor para benefício próprio ou para se supor um problema que em realidade, não existe [falso-problema], terá, por efeito, a dúvida sobre o caráter do acusador.

Ao acusador não restará meio-termo: a prova deve ser definitiva, incontestável e irrevogável. Depois da demonstração de que as urnas eletrônicas foram utilizadas para fins pessoais ou de interesses de grupos, ao invés de cumprir seu papel institucional de legitimar a vontade geral de uma sociedade, restará apenas a penalização dos infratores e a substituição do modelo de registro de voto. De todo o modelo, não apenas a inclusão de uma impressão. A violação do voto, neste modelo, não será superada pelo papel. Será o modelo a ser substituído.

Aos eleitores, que confiaram seus sentimentos e vontades no modelo eleitoral vigente, restará apenas e tão-somente o reforço no sistema eleitoral e a agonia de terem sido enganados por tanto tempo.

Do que não resta dúvida nenhuma e paira a mais clara clareza é sobre o financiamento público eleitoral. O Fundão em R$ 6 bilhões, ou R$ 4 bilhões ou R$ 3 bilhões é uma fraude eleitoral, é a desfaçatez política, é a exposição do interesse pessoal dos parlamentares como quem cospe na cara do eleitor no dia da eleição.


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