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Tempo, tempo, tempo...


O tempo não nos pertence. Nós pertencemos a ele. Quem acaba somos nós. O tempo vai andando e embala o amanhã e a eternidade que nunca chegam. Amanhãs e eternidades estarão sempre no dia seguinte. Estamos perdendo o tempo que nunca dorme e está infinitamente projetado. Pobre dos que se acreditam eternidade, ainda que seja necessário para vivermos agora mesmo.

Projetos são tão fundamentais quanto o oxigênio que se instala em nossa corrente de vida. Programamos a vida, e como e quando vamos viver, nos deparamos com uma imensidão de coisas diferentes, opostas, curiosas, estranhas, cotidianas, brilhantes, escuras... Ali em frente temos que nos confrontar com todos os outros que nos rodeiam, com todas as coisas que se nos aparecem.

Por inevitável, todos os outros e tudo com o que temos que conviver, gritam um mundo fora de nós. Por inevitável, vivemos em grupo e nos comunicamos uns com os outros e com as coisas. Por inevitável, entendemos que há algo [estruturas sociais e políticas] maior do que nós que nos organiza e nos possibilita na vida de todos os dias. Essas estruturas sociais e políticas são sistemas de valores que projetam caminhos, orientam caminhadas, encartam perigos e incertezas e riscos e desafios.

Um político sem partido, no caso brasileiro, vive num oceano sem programa e sem submissão a regras e disciplina partidárias. Como nossos partidos são fracos e sempre enfraquecidos, parece isso ser sem importância. Um partido político, como uma estrutura, é uma instituição. E quanto menor o peso de uma instituição, maior a probabilidade de ascendência pessoal, individual. Nossos partidos têm donos, proprietários, condes e viscondes.

Somente os tolos, carregados de tolices, imaginam-se prontos e distantes do mundo que lhe ocorre fora de si. Somente os tolos, carregados de tolices, acreditam que são os donos do poder, capazes de gritos de guerra. Tais tolos imaginam-se ser o tempo: indissolúveis, imortais, imponderáveis.

Os tolos, quando em grupo, criam o medo para desorganizar as instituições e suas orientações. Criam, para si, uma linguagem secreta e separatista, aristocrática e superlativa: nobres superiores, de nobreza elevada, olham-se por agressões sorridentes, catalogadas, protocolares.

Para se protegerem dos rebaixados na plebe social, além da linguagem aristocrática, criam leis. Uma Constituição tão reformada, tão estripada, tão esticada perde o sentido de projeção coordenada aos seus orientandos. No Brasil, os doutos aristocráticas tornaram tão comum aos plebeus a PEC disso e daquilo que esconderam, diante dos olhos desatentos da plateia, como mágicos a distorcer a realidade, seus mais perversos interesses. Sem uma Assembleia com finalidade definida, já remendaram tanto a Constituição que, sua originalidade foi perdida no tempo.

Olhando para o tempo que já se foi podemos perceber o que se perdeu nas linhas do horizonte de ontem. Do Fundão à PEC do Impunidade Eleitoral, perdemos a projeção do desenvolvimento do país. Parece ter ficado no tempo perdido a conversa sobre cloroquinas. Seguindo o baile, a dança do tempo traça o voto impresso.

O tempo não vai para trás. Apenas perdemos o tempo que vai para frente!


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