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A vida além do rosto


Cada um de nós resulta de comportamentos. Você não é o que diz ser, mas o que você faz. A autoimagem é uma formiga solitária e doente perante o que o conjunto de seus atos lhe forma. O que você faz revela as orientações que você pensa e segue. Você é e está perante o mundo e os outros. Isso significa a dissolução do sujeito autossuficiente pela existência de um mundo exterior e dos outros. A minha vida se faz nos outros e no mundo fora de mim.

O mundo que lhe é exterior e os outros indicam a negação do egoísmo, contra o qual o egoísta realiza sua luta inglória. O mundo e os outros me são mestres, orientações, professores. São eles que me instruem para as vidas que existem fora de mim. Como não posso ser, sentir e pensar pelos outros [isso só poderia existir em condições de transtornos mentais], não posso controlá-los. A vida social, a existência fora de mim, sempre me será incerta, ambígua, incontrolável e, ao mesmo tempo, é o ambiente que me permite existir.

Para algumas coisas me coloco como controlador e operador da vida: limpar a casa, lavar a louça, guardar as roupas, escrever um artigo... Tudo isso parece me colocar no centro do mundo, na tomada de decisões. Por outro lado, ali eu me coloco como parte de um processo maior do que eu mesmo: sou comandado pelas necessidades sociais. Do artigo que escrevo dependo, irremediavelmente, da leitura de outros e de sua avaliação. Depois de escrito deixo de ser o proprietário do texto. A vida deste artigo, para ser infinito, além de mim, depende do leitor.

Em todo caso, escrevo para poder me eternizar. Apenas para efeito didático, é como o nascer de uma criança na qual materializo a transcendência do tempo e das coisas, e destaco a minha ...

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O mundo que lhe é exterior e os outros indicam a negação do egoísmo, contra o qual o egoísta realiza sua luta inglória. O mundo e os outros me são mestres, orientações, professores. São eles que me instruem para as vidas que existem fora de mim. Como não posso ser, sentir e pensar pelos outros [isso só poderia existir em condições de transtornos mentais], não posso controlá-los. A vida social, a existência fora de mim, sempre me será incerta, ambígua, incontrolável e, ao mesmo tempo, é o ambiente que me permite existir.

Para algumas coisas me coloco como controlador e operador da vida: limpar a casa, lavar a louça, guardar as roupas, escrever um artigo... Tudo isso parece me colocar no centro do mundo, na tomada de decisões. Por outro lado, ali eu me coloco como parte de um processo maior do que eu mesmo: sou comandado pelas necessidades sociais. Do artigo que escrevo dependo, irremediavelmente, da leitura de outros e de sua avaliação. Depois de escrito deixo de ser o proprietário do texto. A vida deste artigo, para ser infinito, além de mim, depende do leitor.

Em todo caso, escrevo para poder me eternizar. Apenas para efeito didático, é como o nascer de uma criança na qual materializo a transcendência do tempo e das coisas, e destaco a minha própria descontinuidade. A morte se revela na mesma estrada ao me informar que tenho a tarefa indelével de me preservar para a transcendência do tempo: preciso escrever. Para isso preciso ser fraterno como motivo para minha preservação. Costumamos ouvir que a raiva gera doenças, porque assim perco a proteção dos outros.

O tempo só pode se fazer pela transposição ao infinito. Vivemos para o infinito como se ali se encontrasse a santidade do que é sagrado. É a ressurreição que demonstra a descontinuidade do tempo. Neste evento criamos nossos valores e parâmetros de interpretação sobre como o tempo e a sacralidade realizam uma passagem mágica. Morte e ressurreição são fundamentos da constituição do tempo. Deus é o encontro com o futuro! O sujeito dura pela sua fé no infinito do tempo que sempre lhe será exterior, impessoal, indominável.

Trata-se da vida além do rosto. O que eu penso é, necessariamente e exatamente, sobre o que me é externo e diferente. É o que eu desconheço, o que está fora de mim, o que me ensina a pensar, a desejar, a sentir, a amar. O mundo é meu mestre, meus dias são minhas lições, e meus deveres são as relações boas e fraternas que posso ter com o mundo e com os outros. É a existência exterior que me constitui em conteúdo interior.

Como uma planta que nasce, todo o processo tem a ver com o solo onde as raízes se fixam. O mundo no qual somos criados, ainda como brotos, são a revelação das primeiras instruções que recebemos. O interior e os contornos de uma árvore são firmados pelo chão no qual as raízes se alimentaram e se alimentam, dos ventos e do sol tragado e virado em verde, dos pássaros e insetos que carregam a perpetuação. A vida está além, muito além do rosto!


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