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Sobre a elegância do aprendizado


Aprender a andar de bicicleta é um grande desafio. Parece impossível transformar os instintos e reflexos físicos de pedestre em reações de ciclista. Movimentar-se com seu próprio esforço sem os pés no chão, exigindo a coordenação entre equilíbrio, força, velocidade e direção estável, tudo isso junto, causa uma transformação psíquica muito importante. Controlar-se sobre duas rodas e usar a força das pernas para obter velocidade em direção contínua, estabelecer a conquista da gravidade, ainda com os obstáculos humanos no caminho é um aprendizado fantástico. Depois parece simples e vira repetição. É só fazer e... Uhuuuu! Parece que não se pode aprender mais nada ali. Só resta curtir!

A aprendizagem da leitura também é outro fenômeno intrigante. Primeiro apreender o valor de cada letra, uma de cada vez, sua sonoridade simples que escapa a qualquer composição. Depois elaborar os arranjos de somatórias de letras [consoante + vogal] para compor alguma vocalização mais complexa até formar uma palavra de duas sílabas, já é, em si, uma transformação intelectual. Por fim, traçar composições de três ou mais sílabas, com alteração da ordem dos fonemas para construção de semânticas distintas, e apreender o método global de leitura é uma grande conquista. Daí tudo parece ser simples. Tão simples que acontece de as palavras virem até nós. Depois têm os livros, aquele repertório de milhares de palavras que nos contam uma história, estória. Quando as palavras nos chegam tudo parece simples e esquecemos das transformações pelas quais passamos. Parece que não se pode aprender mais nada ali. É só fazer e... Uhuuuu!!

O sentido de se chegar ao fim de uma transformação pode nos levar à ignorância. Considerar que já se está pronto, que o ponto final da conquista já chegou, que estamos prontos para quaisquer outros desafios é cultivar o obscuro, a insipiência. Palavras novas, ainda não compreendidas, neste caso, nos distanciam do crescimento intelectual mais simples e nos faz recuar para o lugar onde parece que não se pode aprender mais nada ali. Só curtir! Não, você não está pronto! Somente os idiotas imaginam que já sabem, já conhecem e que sua experiência pessoal é suficiente para compreender, interpretar e explicar o mundo. Há extremada distância entre o olhar [fenômeno físico de enxergar] e a observação [capacidade intelectual de compreender]. É por isso que qualquer pessoa que tenha dificuldades visuais de qualquer intensidade, pode compreender e explicar o mundo ao seu redor. Não são os olhos que interpretam! As dificuldades físicas oculares não são suficientes para limitar a imaginação, o pensamento, a reflexão, a interpretação, a compreensão, a descrição, a explicação.

A ignorância está na “cegueira” diante do que nos envolve enquanto ser social na relação com os outros. A inter-ação [ação entre seres], a interrelação [relação entre seres], ou aquilo ...

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A aprendizagem da leitura também é outro fenômeno intrigante. Primeiro apreender o valor de cada letra, uma de cada vez, sua sonoridade simples que escapa a qualquer composição. Depois elaborar os arranjos de somatórias de letras [consoante + vogal] para compor alguma vocalização mais complexa até formar uma palavra de duas sílabas, já é, em si, uma transformação intelectual. Por fim, traçar composições de três ou mais sílabas, com alteração da ordem dos fonemas para construção de semânticas distintas, e apreender o método global de leitura é uma grande conquista. Daí tudo parece ser simples. Tão simples que acontece de as palavras virem até nós. Depois têm os livros, aquele repertório de milhares de palavras que nos contam uma história, estória. Quando as palavras nos chegam tudo parece simples e esquecemos das transformações pelas quais passamos. Parece que não se pode aprender mais nada ali. É só fazer e... Uhuuuu!!

O sentido de se chegar ao fim de uma transformação pode nos levar à ignorância. Considerar que já se está pronto, que o ponto final da conquista já chegou, que estamos prontos para quaisquer outros desafios é cultivar o obscuro, a insipiência. Palavras novas, ainda não compreendidas, neste caso, nos distanciam do crescimento intelectual mais simples e nos faz recuar para o lugar onde parece que não se pode aprender mais nada ali. Só curtir! Não, você não está pronto! Somente os idiotas imaginam que já sabem, já conhecem e que sua experiência pessoal é suficiente para compreender, interpretar e explicar o mundo. Há extremada distância entre o olhar [fenômeno físico de enxergar] e a observação [capacidade intelectual de compreender]. É por isso que qualquer pessoa que tenha dificuldades visuais de qualquer intensidade, pode compreender e explicar o mundo ao seu redor. Não são os olhos que interpretam! As dificuldades físicas oculares não são suficientes para limitar a imaginação, o pensamento, a reflexão, a interpretação, a compreensão, a descrição, a explicação.

A ignorância está na “cegueira” diante do que nos envolve enquanto ser social na relação com os outros. A inter-ação [ação entre seres], a interrelação [relação entre seres], ou aquilo que compõe o campo de força e de luta durante um diálogo entre os indivíduos, que se manifesta por meio de símbolos [ferramentas criadas pela inteligência humana, convencionada em sentido e elaborada para facilitar a comunicação entre as pessoas] é permanente desafio ao entendimento sobre as coisas. A comunicação estratégica no campo do comportamento humano, do mundo social, político ou eleitoral é a forma mais importante para se conquistar vitórias e aprendizados pessoais.

Como diz Gaston Bachelard, do conceito, das palavras, dos parâmetros, exijo uma transformação espiritual, algo que me transforme, que me incomode, que me provoque. Nunca estarei pronto, a não ser quando idiota for. Quanto mais leio mais prazer tenho em conhecer e mais interessante se torna a vida!

*Para Madalena e Catarina no entorno de seus aprendizados!

 

JANUÁRIO, Sérgio S.

Mestre em Sociologia Política

 


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