Colunas


Casos e ocasos

Casos e ocasos

Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

Cobrar do turista é fechar as portas: o tiro no pé que pode afetar a economia da cidade


Balneário Camboriú sempre se vendeu como um destino moderno, inclusivo e preparado para receber bem. Por isso, causa estranheza — e preocupação — a recente proposta de alguns vereadores de tornar o transporte público gratuito apenas para moradores e pago para turistas. A medida, além de juridicamente questionável, é economicamente contraproducente e socialmente excludente.

A discussão sobre transporte público gratuito não é nova. Em diversas cidades do mundo, a gratuidade vem sendo adotada como política pública de mobilidade, inclusão social e estímulo econômico. O transporte coletivo não é um luxo, é um serviço essencial, que viabiliza o direito de ir e vir e reduz desigualdades. Quando gratuito, amplia o acesso à cidade, fortalece o comércio local e diminui impactos ambientais.

Ao optar por um modelo discriminatório — gratuito para residentes e tarifado para visitantes — o município afronta diretamente princípios constitucionais basilares. A Constituição Federal de 1988 assegura a isonomia entre pessoas em situação equivalente, vedando distinções arbitrárias. O turista, ao circular na cidade, não pode ser tratado como um cidadão de segunda categoria. Criar uma barreira econômica baseada na condição de não residente é, no mínimo, incompatível com o princípio da igualdade.

Além disso, a medida ignora um aspecto essencial: Balneário Camboriú depende fortemente do turismo. Penalizar o visitante com custos adicionais, ainda que aparentemente pequenos, compromete ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

A discussão sobre transporte público gratuito não é nova. Em diversas cidades do mundo, a gratuidade vem sendo adotada como política pública de mobilidade, inclusão social e estímulo econômico. O transporte coletivo não é um luxo, é um serviço essencial, que viabiliza o direito de ir e vir e reduz desigualdades. Quando gratuito, amplia o acesso à cidade, fortalece o comércio local e diminui impactos ambientais.

Ao optar por um modelo discriminatório — gratuito para residentes e tarifado para visitantes — o município afronta diretamente princípios constitucionais basilares. A Constituição Federal de 1988 assegura a isonomia entre pessoas em situação equivalente, vedando distinções arbitrárias. O turista, ao circular na cidade, não pode ser tratado como um cidadão de segunda categoria. Criar uma barreira econômica baseada na condição de não residente é, no mínimo, incompatível com o princípio da igualdade.

Além disso, a medida ignora um aspecto essencial: Balneário Camboriú depende fortemente do turismo. Penalizar o visitante com custos adicionais, ainda que aparentemente pequenos, compromete a experiência e a imagem do destino. Em um cenário de concorrência acirrada entre cidades turísticas, decisões como essa podem afastar visitantes e impactar diretamente hotéis, restaurantes, comércio e serviços.

Há também um problema prático. Como será feita essa distinção? Quem define quem é morador e quem é turista? A burocratização do acesso ao transporte tende a gerar constrangimentos, filas e insegurança jurídica. O que deveria ser um sistema simples e eficiente transforma-se em mais um ponto de atrito entre o poder público e quem escolheu a cidade para visitar.

É preciso inverter a lógica. O turista não é um problema a ser tarifado, mas um agente econômico que movimenta a cidade, gera empregos e arrecada tributos. Ao invés de criar barreiras, o município deveria facilitar sua circulação, incentivando o uso do transporte coletivo por todos — moradores e visitantes.

A verdadeira modernidade urbana não está em restringir direitos, mas em ampliá-los. Um sistema de transporte público gratuito e universal é mais coerente com os valores de uma cidade que pretende ser referência. Tratar bem quem chega é tão importante quanto cuidar de quem já vive aqui. Afinal, é justamente o visitante de hoje que garante a prosperidade de amanhã.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Itajaí tá sabendo cuidar o seu patrimônio cultural?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Santa Catarina quer ir além do rótulo e se firmar como potência da arquitetura brasileira

Brasil

Santa Catarina quer ir além do rótulo e se firmar como potência da arquitetura brasileira

Em Cuba, bloqueio dos EUA e apagões pioram vida de mulheres

‘Não há dignidade de nada’

Em Cuba, bloqueio dos EUA e apagões pioram vida de mulheres

Documentos revelam tensão e conflito nas relações bilaterais

Apoio dos EUA à ditadura

Documentos revelam tensão e conflito nas relações bilaterais

Spike, o cacto: o primeiro de seu nome

CRÔNICA DE SÁBADO

Spike, o cacto: o primeiro de seu nome

Como investigações conectam a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado

Caso Master

Como investigações conectam a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado



Colunistas

Emídio e João tomam café com o JC

JotaCê

Emídio e João tomam café com o JC

Noivado do Rebelinho

Jackie Rosa

Noivado do Rebelinho

Veleiro J. R. Tolkien faz parada em Itajaí

Charge do Dia

Veleiro J. R. Tolkien faz parada em Itajaí

O azul chega antes da luz

Clique diário

O azul chega antes da luz

Contratar bem é estratégia, não sorte

Mundo Corporativo

Contratar bem é estratégia, não sorte




Blogs

A alegria antes de chegar

VersoLuz

A alegria antes de chegar

Busca por bem-estar impulsiona crescimento do Arnold Sports Festival em São Paulo

A bordo do esporte

Busca por bem-estar impulsiona crescimento do Arnold Sports Festival em São Paulo

🔬 A Medicina Original: o que a história não te contou

Espaço Saúde

🔬 A Medicina Original: o que a história não te contou

Barbudão na lida

Blog do JC

Barbudão na lida

O Mestre Sou Eu.

Papo Terapêutico

O Mestre Sou Eu.






Jornal Diarinho ©2026 - Todos os direitos reservados.