DESPEDIDA

Velejador de Itajaí vítima de naufrágio teve homenagem com cortejo de veleiros

Ele morreu em naufrágio no dia 6 de setembro, aos 39 anos

Cortejo reuniu cerca de 60 pessoas em torno da memória do esportista (Foto: ANI/Divulgação)
Cortejo reuniu cerca de 60 pessoas em torno da memória do esportista (Foto: ANI/Divulgação)
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Uma semana depois do naufrágio que levou a vida do velejador David Reiser, de 39 anos, a comunidade náutica de Itajaí voltou ao mar. Na manhã de sábado, a sede da Associação Náutica de Itajaí (Ani) se encheu de abraços, lembranças e cerca de 60 pessoas — entre amigos, familiares, surfistas e velejadores — deram o último adeus.

A cerimônia começou em terra firme, com palavras sobre a convivência com David e a marca que ele deixou na associação. Logo depois, o silêncio virou movimento: veleiros artesanais e barcos a remo partiram juntos em flotilha, cortando a baía com velas brancas e bandeiras hasteadas. No caminho até a baía, alguns tripulantes soltaram sinalizadores de fumaça laranja, que se espalhou sobre a água e marcou a travessia coletiva.

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O cortejo seguiu até a baía Afonso Wippel. Lá, silêncio, oração e uma salva de palmas que quebrou o ar contido da manhã. Antes disso, surfistas já tinham feito sua parte no molhe, de onde saudaram o companheiro que tanto dividiu ondas.

O clima foi de despedida, mas também de reconhecimento. Quem conviveu com David lembrou que ele tinha a habilidade rara de aproximar pessoas, de partilhar conhecimento sem reservas. Seu elo com o mar vinha de longe: velejava, surfava, mergulhava, praticava apneia e atuou como guarda-vidas, participando de resgates no litoral.

Engenheiro de produção formado pela Furb, encontrava na marcenaria um ofício paralelo, transformando madeira reaproveitada em móveis. Na Ani, era instrutor voluntário de construção naval amadora e presença constante nas regatas. Em agosto, celebrou o primeiro lugar conquistado no 3º Festival Náutico de Navegantes. Nas redes, registrava treinos de natação e rotinas sempre ligadas à água.

David deixa a esposa e a filha Isis, de nove anos. Para os que estiveram no sábado, a homenagem foi mais do que um adeus: foi o reconhecimento de um legado feito de amizade, solidariedade e paixão pelo oceano.

O acidente e a investigação

David morreu no fim da tarde de 6 de setembro, quando o veleiro artesanal em que navegava virou na saída da barra de Itajaí. Antes do acidente, ainda conseguiu enviar mensagens de celular pedindo apoio para rebocar a embarcação. O socorro, no entanto, não conseguiu chegar a tempo. O vento sul e o mar agitado empurraram o barco até a praia de São Miguel, em Penha.

O presidente da ANI, Elson Oliveira, contou que saiu para tentar ajudar o amigo, mas precisou voltar e buscar uma embarcação maior. Nesse intervalo, perdeu contato com David. As buscas seguiram por mar e terra, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar e da Marinha. Às 21h40, a lancha dos práticos encontrou o veleiro virado na costa de Penha. Perto dele, estava o corpo do velejador, que usava colete salva-vidas.

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A Marinha, por meio da Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí (DelItajaí), abriu um inquérito administrativo para apurar as circunstâncias do acidente. Ainda não há informações sobre o trajeto exato percorrido. O processo será encaminhado ao Tribunal Marítimo, responsável por julgar fatos e acidentes da navegação em todo o território nacional.



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