CORRUPÇÃO
Ex-prefeito de Ilhota é preso pela Polícia Civil
Bando teria aplicado golpe da seguradora e deixado mais de R$ 15 milhões em prejuízos
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A Polícia Civil de Navegantes prendeu na manhã de sexta-feira o ex-prefeito de Ilhota, Daniel Christian Bosi, suspeito de integrar um grupo criminoso que aplicava golpes financeiros por meio de empresas garantidoras de aluguel sem autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, prisão preventiva, suspensão de atividade econômica e bloqueio de valores. De acordo com a investigação, conduzida pelo delegado Osnei Valdir, o grupo praticava crimes de estelionato e apropriação indébita desde o início de 2025.
Continua depois da publicidade
O esquema consistia na criação de empresas que se apresentavam como garantidoras de aluguel e, em alguns casos, induziam os clientes a acreditar que eram seguradoras legalmente autorizadas.
As empresas O.S., com sede em Navegantes, e S.G., com endereço na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP), faziam parte do mesmo grupo criminoso.
A S.G., recém-constituída, utilizava forte apelo publicitário nas redes sociais para atrair clientes e aparentar credibilidade. Em São Paulo, porém, foi constatado que no endereço informado funcionam outras empresas, sem qualquer ligação com os investigados.
Com o tempo, o grupo criou novas empresas e passou a impor cláusulas abusivas nos contratos com as imobiliárias, protelando pagamentos e aumentando os lucros ilícitos.
O golpe causou prejuízos, levando algumas imobiliárias a fechar as portas ou repassar suas carteiras de clientes a outras empresas, diante do impacto financeiro.
Os investigados mantinham uma vida de luxo, morando em coberturas de alto padrão de frente para o mar e usando carros importados.
Empresa nega
A empresa O. S. citada pela polícia informou que a investigação tramita sob segredo de justiça. “A empresa esclarece que não compactua com qualquer conduta criminosa, jamais integrou o denominado Grupo S.G. e que não é uma seguradora e sim uma empresa focada em garantia digital, não possui contas com valores exorbitantes bloqueados. Não houve apreensão de veículos pertencentes à Companhia, tampouco as contas estão bloqueadas”, disse, em nota.
Continua depois da publicidade
A empresa informou que está colaborando com as investigações relacionadas à antiga gestão e confia que, no curso regular do processo, os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos pelas autoridades competentes.
Vítimas podem ser mais numerosas
Continua depois da publicidade
Inicialmente, as investigações se concentraram nas vítimas que registraram boletins de ocorrência em Navegantes, o que ocasionou o bloqueio judicial de R$ 1,5 milhão. No entanto, há indícios de que o grupo atuava em diversas regiões de Santa Catarina, além dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso. O valor total do golpe pode ultrapassar R$ 15 milhões.
As investigações continuam. O delegado Osnei de Oliveira orienta que vítimas lesadas pelo grupo façam os boletins de ocorrência, para que as autoridades policiais possam conduzir as investigações e responsabilizar os envolvidos.
A Polícia Civil reforça que informações podem ser repassadas pelo telefone 181, com garantia de anonimato.
Continua depois da publicidade
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
