Balneário Camboriú
Pastor de BC diz que não é mais sócio de advogado denunciado por rolos dos apês
Michael Aboud afirma que sociedade já foi encerrada
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O pastor Michael Aboud, da igreja Embaixada do Reino de Deus, em Balneário Camboriú, conversou com o DIARINHO na manhã desta segunda-feira e confirmou que foi sócio do advogado Jorge Vacite Neto em empresas da área de mineração, mas garantiu que as sociedades foram encerradas.
Jorge é acusado pelo empresário carioca Suriel dos Santos Costa de vender três apartamentos em Balneário Camboriú sem ter posse ou propriedade do terreno onde seriam construídos os imóveis.
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Segundo Michael, Jorge continua sendo advogado da igreja e também atua para defender o pastor Silas Malafaia. Michel confirmou que conhece tanto Jorge quanto Suriel — ambos do Rio de Janeiro — e diz que lamenta o desentendimento. “Conheço os dois, e esse negócio que eles fizeram, se deu certo ou errado, é o tipo de coisa que eu não tenho absolutamente nada a ver”, declarou.
Sobre a antiga sociedade com Jorge, o pastor explicou que os dois participaram de uma empresa de mineração que acabou não atuando. “Eu fui sócio de uma empresa onde ele também era sócio, era uma empresa que estava no início, na área de mineração. Quando veio a pandemia, tudo fechou e parou. Ficou inviável. Essa empresa nunca operou, nunca teve movimentação, e deve ter uns dois ou três anos que foi dada baixa. Ele não é meu sócio em nenhuma empresa mais”, disse.
Michael comentou ainda sobre os CNPJs em que ambos aparecem como sócios. Segundo ele, as empresas de mineração foram abertas em diferentes estados. “Era uma em São Paulo, e foram abertas cerca de cinco empresas. Mas era tudo do mesmo ramo, só que com CNPJs diferentes por estado. Devem ser três ou quatro. Realmente não me recordo o número exato. Mas nunca operaram e todas já foram encerradas. Ele não é meu sócio em absolutamente nada. Só é advogado da igreja há muitos anos”, afirmou.
O pastor também disse que Jorge foi seu advogado em alguns casos particulares, mas nunca fez parte de sua empresa, a Globex Participações. “Fui sócio de uma empresa e ele era sócio também. Essa empresa nunca decolou por causa da pandemia e foi encerrada. Nós não somos sócios. A minha empresa, que é a Globex, sempre foi minha. Nunca teve outro sócio, nunca teve ninguém”, completou.
Michael reforçou que não tem relação com o negócio entre Jorge e Suriel envolvendo os apartamentos. “Eu não tenho absolutamente nada a ver. Isso deve ter sido um negócio entre eles. Se ele comprou ou não, se pagou ou não, também nem perguntei. Como não sou sócio dele, e ele é advogado da igreja, esse é um assunto particular dele e do Suriel”, finalizou.
Suriel acionou a Justiça em outubro deste ano para tentar reaver, com correção, os R$ 12 milhões pagos pelos três apartamentos em um terreno na rua Miguel Matte, ao lado da academia Wave. “O advogado não detém a posse nem a propriedade do terreno, que pertence à empresa Açupesca, que firmou acordo com a FG. O valor corrigido hoje passa de R$ 16 milhões”, informou o novo advogado de Suriel, Lucas Zenatti.
Em nota enviada ao DIARINHO, Jorge negou que tenha vendido imóveis de terceiros e alegou que se trata de uma cessão de direitos firmada entre partes privadas, com cláusulas expressas, válidas e plenamente consentidas à época da assinatura. Ele ressaltou ainda que existe uma cláusula de confidencialidade no contrato, o que impede a divulgação dos seus termos. “Há um processo judicial em curso, ajuizado pela parte que, por decisão unilateral, optou por não prosseguir com o ajuste, sem que tenha havido qualquer inadimplemento por parte do cedente”, afirmou Jorge.
O advogado também informou que medidas criminais foram tomadas contra Suriel “em razão de condutas altamente lesivas” e que não há qualquer decisão judicial que reconheça fraude ou ônus sobre os imóveis citados.
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Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
