INDÚSTRIA NAVAL
Estaleiro de Navegantes vai construir 18 navios pra Petrobras
Construção marca momento histórico para o estaleiro INC
João Batista [editores@diarinho.com.br]
O estaleiro Indústria Naval Catarinense (INC), de Navegantes, assinou contrato para a construção de 18 navios empurradores para a Transpetro. O projeto marca um novo capítulo da trajetória da empresa e reforça o bom momento do setor, que tem retomado o crescimento com novos investimentos e contratos pelo governo federal.
A largada para a fabricação dos empurradores foi dada em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na terça-feira, em Rio Grande (RS). O contrato faz parte de três projetos do programa Mar Aberto, da Petrobras, que somam R$ 2,8 bilhões pra construção de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores.
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Os investimentos são voltados para renovação e ampliação da frota operada pela Transpetro, de apoio marítimo às atividades da Petrobras. Pelo programa, a INC vai construir os empurradores em Santa Catarina, enquanto as barcaças serão feitas por estaleiro de Manaus (AM) e os gaseiros em Rio Grande (RS).
Os empurradores terão 18,7 metros de comprimento por 9,2 metros de boca, com tração até 13 toneladas, potência de 450 kW e autonomia pra navegação contínua por cinco dias. As embarcações são usadas para empurrar comboios de barcaças no transporte de cargas líquidas, como petróleo e derivados.
O diretor da INC, Josuan Moraes Junior, informa que a fabricação das embarcações vai começar ainda neste semestre e que o estaleiro tem dois anos pra entregar os 18 empurradores. Josuan esteve em Rio Grande, na cerimônia com Lula para entrega e assinatura do contrato, e destacou o momento histórico para a empresa.
“Esse contrato é um divisor de águas para a INC, para a indústria naval catarinense, por ser uma seriação de empurradores para a Transpetro, com propulsão azimutal. Para nós, estaleiros, a seriação, a continuidade e a perenidade da construção naval é muito importante, porque você, com isso, tem condições de fazer os investimentos necessários para construir obras desse vulto”, comentou.
A construção de barcaças e empurradores somam investimentos de R$ 628,8 milhões. Conforme o governo federal, a produção vai garantir maior eficiência logística, segurança operacional e competitividade no fornecimento de combustível marítimo (bunker). A geração de empregos estimada durante a fase de construção é de cerca de 1,5 mil vagas diretas e 4,6 mil vagas indiretas.
“Soberania energética”
Durante a assinatura dos contratos no Rio Grande do Sul, Lula comentou sobre a importância para o país da transformação pela qual a Petrobras está passando, pra virar uma empresa de energia e protagonista na transição energética.
“Porque esse país precisa ter a seguinte decisão: nós precisamos construir uma soberania energética. A gente não pode ficar dependendo de nenhum país do mundo e de tecnologia de outros países”, destacou.
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O ministro da Casa Civil, Rui Costa, destacou os novos investimentos da Petrobras para a retomada sustentável da indústria naval e offshore brasileira. A estimativa é que os novos contratos gerem mais de nove mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo diversos setores da cadeia produtiva.
Conforme a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, mais contratos ligados à indústria naval virão pela frente. “Hoje nós temos contratadas ou em contratação a construção de 48 embarcações de apoio marítimo e mais 18 barcaças e 18 empurradores. Mas nós temos mais nove embarcações em estudo e pelo menos umas seis ou oito novas plataformas a serem licitadas e construídas”, adiantou.
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Ministro anuncia R$ 2,3 bilhões em contrato com Navship
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou nesta quarta-feira, em cerimônia no estaleiro Navship, em Navegantes, a aprovação de R$ 2,3 bilhões para a construção de seis novas embarcações de apoio a operações marítimas offshore. A contratação do financiamento é pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), por meio do BNDES.
Do valor total aprovado, R$ 134 milhões já foram desembolsados, garantindo o início das obras que já estão em andamento. Os projetos contemplam seis navios do tipo PSV, usados no suprimento de plataformas de petróleo. As embarcações serão construídas na Navship.
Os navios contarão com tecnologia híbrida, com sistemas flexíveis de combustível e soluções de armazenamento de energia capazes de reduzir emissões e ampliar a eficiência operacional, em alinhamento à agenda de sustentabilidade e transição energética do setor naval.
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“Encerramos 2025 com o maior volume de concessões da história e, até 2029, teremos mais de R$ 300 bilhões em contratos assinados. Na indústria naval, mais que dobramos os empregos em menos de três anos. Isso reforça que o maior programa social do país é a geração de emprego e renda, que garante dignidade e desenvolvimento para o Brasil”, destacou o ministro.
O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, também destacou a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada e do papel estratégico do Fundo da Marinha Mercante para o desenvolvimento do país.
“Em um cenário internacional cada vez mais desafiador, o Brasil precisa de uma indústria forte, com trabalhadores capacitados e contratados. Temos batido recordes na utilização dos recursos do Fundo da Marinha Mercante porque nosso objetivo é gerar emprego, renda e fortalecer uma indústria estratégica para o país e para o mundo”, disse.
João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
