JUSTIÇA

Homem que estuprou mulher desacordada é condenado a 11 anos de prisão

Crime completa um ano nesta segunda; vítima descobriu violência por câmeras

Alexandre está preso desde o dia do crime  (Foto: Redes sociais)
Alexandre está preso desde o dia do crime (Foto: Redes sociais)

Há exatamente um ano, em 2 de fevereiro, uma moradora do bairro Praia Brava, em Itajaí, descobriu que foi estuprada enquanto estava desacordada no sofá de casa. A violência sexual durou cerca de duas horas e foi cometida por um homem que convivia com a família havia mais de oito anos.

Todo o abuso foi registrado pelas câmeras de segurança interna da casa e causa ainda mais revolta porque a vítima permaneceu completamente desacordada durante todo o crime. As imagens permitiram que a polícia identificasse, prendesse e condenasse o comunicador Alexandre Valasco por estupro de vulnerável.

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Preso desde 2 de fevereiro de 2025, Alexandre confessou o crime e já foi condenado em duas instâncias judiciais. A pena é de 11 anos, seis meses e 20 dias de prisão, além do pagamento de R$ 10 mil por danos morais à vítima.

Durante o processo, a mulher relatou à Justiça os impactos profundos do crime em sua vida. “Não sobrou nada do que eu era. Eu não fico mais na minha casa, me mudei para outra cidade. Eu não durmo mais direito, tenho dificuldade para acordar e seguir a rotina com meu filho”, afirmou em depoimento.

Ao DIARINHO, a vítima não quis comentar sobre a condenação, mas relembrou de como descobriu o estupro. Ela contou que vivia uma fase feliz, namorava e curtia a rotina com o filho de dois anos. No dia do crime, decidiu fazer um churrasco em casa e convidou amigos. Ao encontrar Alexandre na rua, também o chamou para a confraternização.

No fim da festa, como ele morava em outra cidade, a mulher disse que ele poderia dormir no quarto de hóspedes para não pegar a estrada de madrugada. O gesto de gentileza mudou completamente sua vida.

As imagens mostram que o estupro começou por volta das 6h30 e terminou às 8h30. Ao sair da casa, Alexandre, de forma irônica, ainda faz um gesto de despedida com a mão enquanto a mulher seguia desacordada no sofá.

No processo, a defesa pediu a absolvição do réu, alegando que ele “agiu acreditando sinceramente na licitude de sua conduta”, sustentando erro de proibição. O argumento foi rejeitado.

O laudo da Polícia Científica aponta que o padrão de conduta indica que o réu tinha plena ciência da ausência de consentimento. Segundo a perícia, ele persistiu em atos progressivamente mais invasivos, aproveitando-se da imobilidade e da passividade corporal da vítima, sem qualquer indício de participação ativa ou manifestação de vontade.

Ainda conforme o laudo, durante todo o abuso a mulher permaneceu na mesma posição, com pouca ou nenhuma movimentação corporal. Em diversos momentos, o réu tentou provocar alguma reação, balançando a perna da vítima ou tocando nela com o próprio pé. Ao perceber qualquer movimentação, mesmo mínima, ele interrompia os atos, comportamento que se repetiu ao longo das gravações.

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Trauma profundo: “Hoje eu não confio nas pessoas”

Um ano depois, a vítima tenta reconstruir a vida, mas ainda enfrenta crises de ansiedade, medo constante, desconfiança, angústia e dores musculares. “Mudou tudo. Hoje eu não confio nas pessoas. Eu vivo vigiada, tenho medo de chegar em casa e medo de sair. A relação com meu corpo mudou. Passei a usar roupas largas, engordava e emagrecia tentando não chamar atenção. Nada ficou igual e nunca mais vai ser”, relatou.

Ela também contou que passou a ter pesadelos frequentes, “revivendo” a mesma cena registrada no vídeo. O trauma afetou a relação com o filho e a rotina diária. “Eu não conseguia trabalhar, não conseguia nem ver homens. Tinha dores musculares constantes pela tensão e não conseguia fazer nada”, afirmou.

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Além da violência sexual, a mulher precisou tomar por um mês medicamentos preventivos contra doenças sexualmente transmissíveis e iniciou acompanhamento psicológico. “Procurei uma psicóloga especializada em trauma, mas parei porque não aguentava mais falar do assunto. Tudo na minha vida ligava àquele fato. Notícias sobre feminicídio e violência mexem comigo. Eu não consigo nem imaginar como vai ser minha vida quando ele sair da prisão”, disse.

 

Mudou de cidade

Desde o crime, ela deixou a casa na Praia Brava e montou um novo lar, com sistema ainda mais reforçado de segurança. “Eu nunca mais quero pisar lá. Aquela casa foi um projeto de vida, mas hoje não significa mais nada pra mim. Se demolir, não vai fazer falta”, contou.

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A vítima disse que decidiu falar sobre o caso como forma de alertar outras mulheres. “A única precaução é desconfiar de tudo e de todos. Não se expor, não deixar filhos com qualquer pessoa, por mais próxima que pareça. Sempre que possível, ir e voltar acompanhada. Nunca convidar alguém para dormir em casa. Mesmo que pareça confiável”, finalizou.



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