FEMINICÍDIO
Mulher é asfixiada até a morte pelo marido em Balneário Camboriú
Crime foi no bairro das Nações
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A esteticista Ana Paula Farias, de 42 anos, foi encontrada morta dentro de casa na manhã de segunda-feira, na rua Peru, no bairro das Nações, em Balneário Camboriú. Ela teria sido asfixiada até a morte pelo marido, que fugiu da casa da família em uma bicicleta.
R.P.P., de 45 anos, logo depois do crime enviou um áudio ao patrão do filho da vítima pedindo que o jovem não fosse para casa pra não encontrar a mãe morta. A mensagem foi enviada às 10h23, uma hora depois do feminicídio.
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No áudio, o assassino relata que tinha cometido “uma tragédia” e pede ajuda para manter o filho da vítima no trabalho. “Oh, Elton, por favor, segura o Igor na marcenaria. Eu fiz uma tragédia dentro da minha casa. Eu briguei com a mãe dele, fiz uma tragédia lá [...]. Segura ele, por favor, não deixa ele ir até a casa”, diz o trecho da gravação.
Após receber o áudio, o patrão do filho de Ana Paula foi até a casa da família, na rua Peru. Ele pulou o muro e encontrou a porta aberta. Ao entrar no imóvel, localizou Ana Paula morta em um quarto nos fundos. Elton acionou a motolância do Samu, que confirmou a morte no local.
A PM iniciou buscas pelo assassino, que fugiu de bicicleta. Imagens de câmeras de monitoramento mostram o homem deixando a casa por volta das 9h. Ele segue pela rua Peru, vira à esquerda na rua Paquistão, depois entra na rua Paraguai e segue em direção à avenida Palestina.
Até o fechamento desta edição, o acusado do crime não tinha sido encontrado. A Polícia Civil investiga o caso, com apoio da Polícia Militar, e trata o crime como feminicídio.
Ana Paula Farias tinha uma empresa de estética e outros serviços de beleza há sete anos. Nas redes sociais, ela se apresentava como terapeuta integrativa e estudante do curso técnico de Acupuntura. Já o marido trabalhava com fretes e entregas. Os dois tinham dois filhos juntos e moravam de aluguel na casa onde Ana foi morta.
Vizinhos estão chocados
A comoção tomou conta das famílias vizinhas à casa onde aconteceu o feminicídio. Os moradores, que preferiram não se identificar, disseram que o casal nunca demonstrou conflitos. “Ninguém sabe o que acontece na casa dos outros. Eles sempre vinham aqui e nunca vi eles brigarem”, relatou uma vizinha.
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Outro morador contou que, poucos dias antes do crime, os dois pareciam bem. “No sábado, passaram de mãos dadas aqui na frente de casa e ficaram falando comigo”, revelou.
Sobre a vítima, a lembrança é de uma mulher “bonita, recatada e muito querida. Muito batalhadora, fazia atendimentos aqui na região”.
Informações iniciais apontam que o velório deve ser em Assis, no interior de São Paulo, cidade de familiares da vítima, mas vizinhos pensam em uma despedida, também, na região.
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SC adere ao pacto nacional após seis mortes em 2026
Com seis feminicídios registrados em 2026, o governo de Santa Catarina enfim confirmou a adesão ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa reúne os três poderes da República no combate à violência contra mulheres e meninas em todo o país. A adesão foi confirmada pela comunicação social de SC na tarde desta segunda-feira.
O pacto existe desde agosto de 2023 e este é o primeiro ano em que Santa Catarina passa a integrar oficialmente o programa nacional. A confirmação acontece após o estado registrar, em 2025, 52 feminicídios e 225 tentativas, segundo dados do Ministério da Justiça. O número coloca Santa Catarina como o quinto estado com mais tentativas de mortes de mulheres no Brasil.
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De acordo com o governo estadual, a adesão foi definida depois que representantes do executivo participaram de uma agenda no Ministério das Mulheres, em Brasília, na semana passada. A assessoria do governo não soube precisar se a adesão já foi formalmente assinada ou se a assinatura deve acontecer nos próximos dias.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina já confirmou a adesão ao pacto. Na Assembleia Legislativa, ainda não há participação formal no programa nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. “Até o momento, não houve formalização de adesão institucional da Alesc ao referido pacto, justamente porque o processo de pactuação com os entes subnacionais ainda está em curso. Ressalte-se, contudo, que a Procuradoria da Mulher da Alesc, em conjunto com a Bancada Feminina, já vem promovendo articulações internas e encaminhamentos institucionais com o objetivo de submeter à Presidência da Casa a avaliação sobre a eventual adesão da Assembleia Legislativa ao pacto, no âmbito de suas competências. A Alesc acompanha o tema e permanece atenta às iniciativas nacionais e estaduais relacionadas à prevenção da violência contra as mulheres”, disse, em nota, a Alesc.
Regina Santos, coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Balneário Camboriú e da Casa de Referência da Mulher em Penha, avaliou de forma positiva a adesão do estado, mas lembrou que, em anos anteriores, iniciativas semelhantes não tiveram participação do governo catarinense. Segundo ela, o documento referente a 2026 ainda está em fase de envio aos estados e municípios.
O pacto foi lançado em 4 de fevereiro pelo Ministério das Mulheres e tem como lema “Todos por todas”. A proposta quer reduzir a violência letal contra mulheres e meninas por meio da integração de políticas públicas, troca de informações e fortalecimento de ações preventivas. Entre os eixos estão prevenção, proteção, responsabilização de agressores e garantia de direitos às vítimas.
Outras ações
O governo de SC afirma investir em campanhas próprias de conscientização e prevenção da violência de gênero. Entre as ações em andamento, o estado destaca o “Botão do Pânico” disponível no aplicativo PMSC Cidadão
Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher: prevê ações de 2025 a 2035, envolvendo secretarias como Segurança Pública, Assistência Social, Mulher e Família, Educação e forças de segurança
Catarinas por Elas: lançado em novembro de 2025, integra ações do governo estadual nas áreas de educação, saúde, assistência social e segurança pública para proteção das mulheres
PC por Elas: programa da Polícia Civil voltado à conscientização e criação de rede de apoio às mulheres vítimas de violência
Salas Lilás: atendimento humanizado a vítimas de violência doméstica, com 41 unidades instaladas em SC até 2025
DPCAMIs: reestruturação das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, com 26 novas unidades
Rede Catarina: iniciativa da PM que fiscaliza medidas protetivas e encaminha vítimas à rede de apoio municipal
Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres: documento em elaboração, com investimento de R$ 1 milhão, e conclusão prevista pra março
Acolhimento institucional: edital prevê 80 vagas emergenciais para mulheres vítimas de violência, com investimento de quase R$ 9,5 milhões
Ônibus Lilás: unidade móvel atendeu mais de 6 mil mulheres em 55 cidades
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
