SUPERAÇÃO
Ex-aluno da Univali cruza a América do Sul em triciclo adaptado e acumula recordes
Giuliano Nogaroli já percorreu mais de 50 mil quilômetros e foi o primeiro a descer o Camino de la Muerte em triciclo
Ana Zigart [editores@diarinho.com.br]
Para Giuliano Nogaroli, de 48 anos, viajar nunca foi apenas chegar a um destino. É um modo de existir. Cadeirante desde 1996, o ex-aluno da Univali transformou a estrada em projeto de vida e, desde 2022, percorre países da América do Sul num triciclo adaptado.
Entre os desafios mais emblemáticos está a travessia do lendário Camino de la Muerte, na Bolívia. A descida, em dezembro de 2025, marcou Giuliano como o primeiro cadeirante a percorrer o trajeto em um triciclo adaptado.
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Nascido no Paraná e criado no litoral norte catarinense, Giuliano realizou sua formação em Itajaí, do Colégio de Aplicação à graduação em Administração na Univali. Em 1996, aos 18 anos, sofreu um grave acidente na BR 101. O impacto provocou fratura de quatro vértebras e o uso permanente da cadeira de rodas.
O esporte passou a ser parte essencial da reconstrução. Atuou no basquete em cadeira de rodas, integrou a Seleção Brasileira e competiu em campeonatos estaduais e nacionais. Em 2019, foi campeão brasileiro e estadual de natação e recebeu a medalha Gustavo Kuerten – Atleta do ano.
A grande virada veio em novembro de 2022, quando partiu sozinho rumo ao deserto do Atacama. Com barraca, saco de dormir e estrutura adaptada no triciclo, cruzou Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Bolívia.
Durante a viagem, enfrentou dificuldades mecânicas e imprevistos em estradas isoladas.
Giuliano se tornou o primeiro cadeirante a cruzar sozinho, em um triciclo adaptado, o trajeto do Oceano Atlântico ao Pacífico, atravessando a cordilheira dos Andes e o deserto do Atacama. O triciclo também foi o primeiro a ultrapassar os 5 mil metros de altitude em alguns trechos. Ao todo, já são mais de 50 mil quilômetros percorridos em expedições que variaram de 56 a 96 dias de estrada.
Além das viagens, Giuliano compartilha sua rotina nas redes sociais, onde reúne quase 40 mil seguidores. Segundo ele, as mensagens recebidas são combustível para seguir em frente.
Próximos destinos
A Austrália está entre os projetos futuros, embora a próxima grande expedição deva acontecer no fim do ano. Para ele, a cadeira de rodas nunca foi limite. Enquanto planeja novos destinos, ele acumula quilômetros e histórias. “Não é só coragem. É algo difícil de explicar. Cada curva mostrou que muitos limites existem na mente. Quando recebo relatos de pessoas que se sentem motivadas, é isso que coloca mais combustível nos meus desafios. É isso que me transforma”, relata.
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Ana Zigart
Ana Caroline Zigart, jornalista no DIARINHO, pós-graduada em Marketing, Inovação e Criatividade pela Univali. Atua no jornalismo impresso, site e redes sociais.
