A tecnologia pesa a favor das plataformas: viagens monitoradas por GPS, compartilhamento de rota em tempo real, botão de emergência e sistema de avaliação mútua ajudam a manter um padrão de qualidade. Histórico de corridas e recibos automáticos reforçam a conveniência. Embora os táxis ainda tenham diferenciais, como acesso a corredores exclusivos e motoristas experientes, o modelo digital se impõe pela transparência e pelo conforto, mais alinhados à rotina contemporânea.
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Moradora de Itajaí e funcionária do Balneário Shopping, Andréa Gonçalves usa aplicativos diariamente para se deslocar entre os municípios. “Pago entre R$ 18 e R$ 22 no app. De táxi, custa de R$ 35 a R$ 50. E o transporte público não atende minhas necessidades”, relata. Já o aposentado Roberto Pereira, de Navegantes, encontrou nos aplicativos uma forma de driblar o trânsito. Ele deixa o carro na margem esquerda do rio Itajaí-açu e faz todos os deslocamentos em Itajaí com motoristas de app. “Evito as filas do ferry-boat e o trânsito caótico”.
No entanto, há quem permaneça fiel ao táxi. Maria de Fátima Soares, 76 anos, prefere chamar motoristas conhecidos para ir ao centro de Navegantes, ao Gravatá ou, eventualmente, a Itajaí ou Balneário Camboriú. “Saio pouco de casa e opto por pagar mais caro. Não me acostumei com essas modernidades e tenho taxistas que me atendem há mais de 10 anos.”
Para o economista e professor da Universidade do Vale do Itajaí, Daniel da Cunda Corrêa da Silva, o transporte por aplicativo veio para ficar. Ele avalia que o táxi tende a se tornar residual, sobretudo fora dos grandes centros e entre pessoas menos conectadas digitalmente. Perfil confirmado pelo taxista Luiz Ribeiro, que atende principalmente idosos em deslocamentos curtos e médios, mantendo uma relação de confiança construída ao longo do tempo.
Segundo Daniel, os aplicativos são uma alternativa eficiente para trajetos fora das rotas tradicionais do transporte público e para quem tem horários alternativos, como profissionais da saúde e trabalhadores de fim de semana. Já Allan Puga, presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de Santa Catarina, destaca que o peso do turismo na região da foz do Itajaí-açu faz com que o transporte individual por aplicativo seja a opção mais adequada para a região. Isso faz com que a demanda pelo serviço cresça cerca de 10% ao ano. “Para os turistas, além da mobilidade urbana, o aplicativo virou também uma opção mais econômica que alugar carro para poucos dias”, frisa Puga.
Concentração de mercado e preços abusivos
A comodidade dos aplicativos de transporte precisa ser acompanhada de perto pelos órgãos de defesa do consumidor. Segundo o professor e economista Daniel da Cunha, há uma tendência clara de concentração de mercado e avanço de práticas de preços abusivos. Levantamento recente de pesquisadores britânicos mostra que o valor médio das corridas na Inglaterra subiu 44,5% ao longo de 2025. No Brasil, os aumentos também chamam atenção: Brasília registrou alta de 62%, São Paulo 55% e Recife 54%.
Outro ponto crítico é a fatia retida pelas plataformas. Embora o percentual padrão divulgado seja de 25%, na prática essa retenção já chega frequentemente a 40% ou até 50% do valor da corrida. Daniel também chama atenção para um efeito indireto do modelo: os aplicativos facilitam migrações regionais, inclusive para Santa Catarina, ao permitir que pessoas se desloquem mesmo sem emprego formal garantido. Basta acesso a um carro, próprio ou alugado, para viabilizar a mudança.