ITAJAÍ
Food trucks terão que ser branquinhos e padronizados; veja os modelos
Empresário diz que a exigência vai transformar os trailers em “um monte de cubo de gelo enfileirado”
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
A padronização estética exigida no novo edital para ambulantes em Itajaí gerou insatisfação entre donos de food trucks credenciados. Pelas normas, trailers e equipamentos devem ter acabamento integral na cor branca, com apenas pequenos detalhes em madeira ou material de tonalidade semelhante. A identificação visual fica restrita a uma placa com o nome do empreendimento, com tamanho máximo definido. Qualquer outro tipo de publicidade é proibido.
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Empresários do setor não gostaram da novidade. Eles afirmam que as novas regras prejudicam a identidade das marcas, limitam a publicidade individual e exigem investimento alto sem garantia de permanência após o próximo processo seletivo. Um empresário habilitado, que pediu para não ser identificado, diz que as novas exigências vão pesar no bolso e apagar o que ele entende como identidade dos trailers.
Pelo edital, os equipamentos devem seguir padrão visual uniforme, com trailers brancos e mobiliário dentro do modelo definido, o que, na prática, obriga a troca das mesas e cadeiras atuais por madeira. Segundo ele, a maioria dos trailers usa plástico. “É um desperdício de material”, afirma. Ele estima investir “quase R$ 10 mil” para se adequar e questiona a segurança de permanência. “No final do ano já vai ter o novo edital e ninguém sabe se vai ficar aqui ou não”.
A maior crítica, segundo ele, é a obrigação de pintar tudo de branco. “O mais desagradável vai ser ter que pintar os trailers, botar tudo branco. Isso não tem cabimento”, acredita. Ele resume o visual esperado como “um monte de cubo de gelo enfileirado”.
Outro comerciante, também sem querer se identificar, diz que a padronização derruba a marca construída ao longo do tempo. Segundo ele, muitos carrinhos são reconhecidos pelos clientes de longe, justamente pela cor e pela identidade visual, o que tende a se perder com tudo branco.
Outra empresária da Beira Rio diz que entende a intenção da prefeitura de reduzir a poluição visual e organizar o espaço, mas afirma que a exigência impacta financeiramente quem já tem estrutura pronta. “A Beira Rio é considerada uma avenida gastronômica, né? (…) Realmente estava faltando uma organização. Eu concordo com isso, porque estava muito poluído o visual ali”, afirmou. Ela, porém, diz que a exigência do branco encarece a adequação e pode não funcionar bem na prática. Segundo ela, o branco encarde com facilidade e o padrão poderia ter sido pensado com as cores do município. “Poderiam ter conversado com a gente ou puxado para as cores da cidade”.
Ela também aponta que, com publicidade limitada e tudo mais uniforme, parte do reconhecimento visual desaparece: “O cliente vai ter que olhar o cardápio pra identificar o que cada trailer vai ter”, diz a empresária, que volta a bater na tecla do investimento diante do prazo. O edital dá seis meses para adequação, enquanto a licença tem validade de um ano. “Qual é a garantia que a gente vai ter que vai conseguir continuar trabalhando depois? A gente não sabe”. Mesmo assim, resume o cenário: “Ou tu te adapta e faz o que eles estão pedindo, ou tu não trabalha”.
O que diz o edital
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O edital determina que todos os equipamentos devem seguir padrão estético uniforme, com acabamento integral na cor branca. São permitidos apenas pequenos detalhes em madeira ou material de tonalidade similar.
A identificação visual fica restrita a uma placa com o nome do empreendimento, com até 0,30m² para food trucks e trailers e até 0,20m² para equipamentos menores, limitada a duas placas por unidade.
É vedado qualquer outro tipo de publicidade. Os credenciados têm prazo máximo de seis meses para se adequar ao padrão. Caso não cumpram as exigências, podem perder o direito à outorga.
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Organização urbana
Em nota, a prefeitura informou que as exigências visam à padronização estética dos equipamentos e evitar poluição visual. A regra também se aplica à publicidade, que vinha sendo feita “de forma indiscriminada, sem qualquer critério”.
A prefeitura afirma que esse entendimento é comum em espaços públicos como praias e praças, com o objetivo de evitar práticas abusivas e garantir organização urbana, em conformidade com a legislação urbanística aplicável.
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Redação DIARINHO
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
