Poluição
Exame revela contaminação por esgoto 30 vezes acima do limite no mar de Piçarras
Análise paga por moradores aponta poluição em ribeirão que deságua na praia do Itacolomi e ameaça selo Bandeira Azul
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Um flagrante de despejo de esgoto no mar de Balneário Piçarras foi comunicado à prefeitura e ao Instituto do Meio Ambiente de Piçarras (IMP). A denúncia partiu da Associação de Moradores e Proprietários de Piçarras pela Preservação das Praias, APPs e Restingas, que bancou uma análise química da água e comprovou a poluição.
Segundo o presidente da entidade, Jorge Sahd Júnior, um ofício com o resultado do exame foi enviado ao prefeito Tiago Baltt (MDB) no dia 27 de fevereiro. A associação aguarda providências do poder público para conter o lançamento de dejetos na orla.
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O ponto analisado foi um ribeirão na altura da rua 3350, no bairro Itacolomi. De acordo com a moradora Stela Murakami, a coloração da água muda com frequência, sinal que levantou suspeitas de contaminação.
A coleta da água foi feita no dia 10 de fevereiro. A análise foi assinada pela técnica Mariana Lopes da Silva, da Aquaplant Química do Brasil, de Joinville. O laudo aponta que a amostra não atende aos padrões da legislação ambiental nem às normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
O exame identificou presença elevada da bactéria enterococcus, indicador clássico de contaminação por esgoto. Para a Amar, o resultado caracteriza uma “contaminação fecal severa”. “Os enterococcus vivem no trato gastrointestinal de humanos e animais. Quando aparecem em níveis tão altos, normalmente indicam descarte de esgoto doméstico sem tratamento ou transbordamento de fossas próximas ao curso d’água”, destacou Jorge no ofício encaminhado ao prefeito.
O laudo aponta um índice de poluição 30 vezes acima do limite permitido. Segundo os moradores, a situação pode comprometer a balneabilidade da praia do Itacolomi e até ameaçar a certificação internacional Bandeira Azul, concedida a praias que atendem critérios ambientais.
A associação também alerta para riscos à saúde, como gastroenterites, infecções de pele e mucosas, hepatite A, leptospirose e febre tifoide. “Além do impacto ambiental, há risco concreto de prejuízo à imagem do município”, aponta o documento.
A situação também chegou à câmara de vereadores. Parlamentares, entre eles Adriana Linhares, a Drica (PSDB), foram até o córrego da rua 3350 para verificar o problema. Câmara e moradores cobram fiscalização mais rigorosa e medidas emergenciais para conter o despejo.
A prefeitura informou que acompanha a situação antes mesmo do laudo. O município afirma que segue monitorando o caso e planeja fazer uma inspeção robotizada na rede nesta semana para avaliar as condições do sistema e identificar possíveis ligações clandestinas de esgoto.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
