ECONOMIA

Falta de mão de obra força empresas a buscar soluções

Iniciativas como feirões de empregos e cursos visam atrair e qualificar profissionais em setores da matriz econômica da região

Economia aquecida gera disputa de vagas e obriga empresas a criar estratégias (Foto: João Batista)
Economia aquecida gera disputa de vagas e obriga empresas a criar estratégias (Foto: João Batista)
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A escassez de mão de obra tem afetado não só a área de transporte, que sofre um “apagão” de motoristas profissionais, mas também setores importantes na economia da região de Itajaí, como a construção civil e a indústria naval. As empresas têm apostado em treinamento e formação de novos profissionais e em ações estratégicas com parcerias pra atrair os trabalhadores e preencher as vagas em aberto.

Na área logística, o Sindicato das Empresas de Veículos de Carga de Itajaí e Região (Seveículos), que representa empresas da categoria em 11 municípios da região, informa que a falta de motoristas vem se acentuando ao longo dos anos, mas o setor também enfrenta escassez de trabalhadores operacionais, conferentes e analistas de sistemas, entre outras funções.

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Em ações práticas pra facilitar as contratações, a entidade participa de eventos como o Feirão Emprega Já, promovido pela Fiesc em parceria com a Prefeitura de Itajaí. No ano passado, a iniciativa ofertou mais de mil vagas em diversos setores, divulgadas inclusive com moto de som em todos os bairros da cidade antes do evento.

“Foi incansável a divulgação, mas infelizmente a adesão foi baixa, os currículos que recebemos de motoristas profissionais e demais profissões citadas foram muito abaixo do esperado”, lamentou o presidente do Seveículos, Djonas Cidclei Fernandes. O investimento em qualificação é outra frente das empresas pra enfrentar as dificuldades de contratação.

O sindicato firmou convênio com a escola da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet), referência no Brasil pra formação de motoristas profissionais, com o curso “Excelência na Condução”.

“O projeto já formou duas turmas. Apesar das dificuldades encontradas na adesão, a formação continua”, destaca Djonas. São mais duas turmas no momento, no curso “Desenvolvimento de Gestores do Transporte”.

Outra iniciativa do setor é o projeto “Motorista do Futuro SC”, tocado pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), com apoio do Sest/Senat. A ideia é aproximar jovens do ensino médio da profissão de caminhoneiro, diante do envelhecimento da categoria e da necessidade de formar novos profissionais.

O projeto prevê ações nas escolas e parcerias com empresas, entidades e poder público. O presidente do Seveículos ressalta a importância de estimular o interesse dos jovens pra renovar a mão de obra no setor. “No passado, o sonho do menino era ser motorista profissional igual ao seu pai, mas isso mudou drasticamente com o passar dos anos. Muitos pais não desejam mais essa profissão para seus filhos e isso deixa a categoria com idade média avançada e o desinteresse para renovar”, comenta.

Parceria forma profissionais pra indústria naval

No setor naval, o Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin) tem articulado iniciativas com empresas do setor, poder público e instituições de ensino técnico pra ampliar a formação e a qualificação de trabalhadores. Os estaleiros empregam mais de 3,5 mil pessoas e projetam 1,4 mil vagas com novos contratos, especialmente de projetos pra Petrobras.

Entre as principais ações, o sindicato destaca parcerias com instituições de formação, principalmente com o Senai. Pela iniciativa, jovens a partir de 18 anos são contratados pelas empresas e participam de um modelo de formação que combina teoria e prática. Metade do período eles ficam no estaleiro, vivenciando a rotina de trabalho, e na outra metade frequentam cursos no Senai.

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Atualmente, o programa oferece formação nas áreas de eletromecânica naval e marcenaria naval, preparando os jovens profissionais para atender às demandas específicas da indústria.

O sindicato também promove programas de requalificação profissional pra trabalhadores que já atuaram ou atuam no setor, e precisam se atualizar diante das novas tecnologias e exigências da indústria. “Essas iniciativas buscam fortalecer a formação técnica e contribuir para suprir a demanda crescente por mão de obra qualificada no setor”, destaca o sindicato.

Construção civil disputa mão de obra com outros setores

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As dificuldades de contratação levam em conta a situação de pleno emprego em Santa Catarina, e especialmente Itajaí, com taxa de desocupação próxima de 2%. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) da Foz do Rio Itajaí, Eduardo Agostini, o cenário faz com que diversos setores disputem mão de obra.

“Indústria naval, indústria em geral, comércio, supermercados, pesca, transporte e a própria construção civil acabam sentindo esse impacto. Com a economia aquecida, as empresas precisam buscar estratégias para atrair e formar novos profissionais”, avalia.

O Sinduscon também participa de iniciativas em conjunto com o poder público e entidades empresariais para enfrentar o problema. Foi criado um grupo de trabalho, coordenado pela secretaria de Desenvolvimento Econômico, do qual o Sinduscon faz parte, pra discutir alternativas que aproximem os trabalhadores das vagas abertas.

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“A construção civil, por sua vez, tem buscado se tornar cada vez mais atrativa para quem procura uma oportunidade de trabalho. É um setor que oferece boas possibilidades de renda e crescimento profissional, além de investir em capacitação e formação de mão de obra”, destacou o presidente do sindicato.

Para o setor, o próprio dinamismo econômico da região gera uma concorrência maior por trabalhadores, o que exige das empresas mais iniciativas de valorização e desenvolvimento da mão de obra. Neste contexto, um dos desafios, segundo Eduardo, é diminuir o custo de moradia e melhorar o transporte público. Esses fatores afetam a permanência dos trabalhadores nas empresas e estão sendo tratados entre o Sinduscon e o município.



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