PREÇOS ABUSIVOS
Postos são notificados por aumento da gasolina na região
Empresas terão que justificar reajustes por meio de notas fiscais
João Batista [editores@diarinho.com.br]
O Procon de Balneário Camboriú iniciou na quarta-feira uma fiscalização em todos os postos de combustíveis do município. Os estabelecimentos que aumentaram preços foram notificados pra justificar o reajuste. A comprovação poderá ser feita por meio de notas fiscais de compra do combustível.
Não foi informado quantos postos receberam a notificação. As empresas que não apresentarem a documentação ou fornecerem justificativas consideradas insuficientes podem levar multa.
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O diretor do Procon municipal, Bruno Costa, reforçou que a medida deve brecar práticas abusivas. “Estamos fiscalizando para garantir o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor e evitar que o cidadão seja explorado por condutas de má-fé”, disse.
Em Itajaí, o Procon também está de olho no abuso de preços, mas nenhum posto tinha sido notificado até quarta-feira. O município fez pesquisa de preços em 46 postos na segunda-feira e promete notificar estabelecimentos denunciados por aumento abusivo.
Em Penha, Balneário Piçarras e Navegantes os preços dos combustíveis também eramestáveis nas bombas. Levantamentos feitos pelos Procons das três cidades mostram que, até o dia 17 de março, não houve aumentos significativos ao consumidor.
As cidades da região registraram uma corrida aos postos na quarta-feira, após o anúncio da paralisação de caminhoneiros. A busca gerou filas e falta de combustíveis em vários postos. A partir da manhã de quinta-feira, a situação foi normalizando.
Diesel teve aumento em Itajaí
A pesquisa em Itajaí mostrou os preços médios praticados nos postos, na comparação com os valores em fevereiro. O diesel apresentou as maiores variações. O diesel comum teve média de R$ 7,28, frente aos R$ 6,14 registrados em fevereiro. O valor mais caro foi de R$ 8,14 e o mais barato, de R$ 6,59.
Já o diesel S-10 passou de R$ 6,17 para R$ 7,27, chegando a R$ 8,29 em alguns postos. A gasolina comum passou de R$ 6,46 para R$ 6,51, num aumento de 0,82%. O etanol teve leve alta de 0,66%, com média de R$ 4,88. Já a gasolina aditivada e o gás natural veicular (GNV) ficaram na mesma, com valores de R$ 6,60 e R$ 4,99, respectivamente.
A pesquisa também identificou diferenças entre os menores e maiores valores, destacando a importância de consulta pelo consumidor. A gasolina comum varia entre R$ 6,43 e R$ 6,69. O diesel comum, entre R$ 6,58 e R$ 8,14, enquanto o S-10, de R$ 6,50 a R$ 8,29. O etanol teve preços entre R$ 4,65 e R$ 5,19.
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Segundo o Procon, os postos com aumento estão sendo notificados, para justificar o crescimento no preço. Denúncias podem ser encaminhadas pelos canais oficiais no WhatsApp (47) 98855-7811 ou pelo e-mail fiscal.procon@itajai.sc.gov.br.
Mais alto na região
Pesquisa feita em Piçarras apontou a gasolina comum variando entre R$ 6,19 e R$ 6,49, uma diferença de 4,85%. Já o diesel S10 apresentou maior oscilação, com preços entre R$ 6,32 e R$ 7,29 — variação de 15,35%.
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Em Penha, o levantamento feito entre os dias 12 e 17 mostrou leve queda nos preços da gasolina comum (-0,92%) e aditivada (-0,91%). O diesel registrou aumento mais expressivo: +16,03% no S10 e +16,11% no S500. A média da gasolina comum ficou em R$ 6,47, a aditivada R$ 6,54 e o etanol R$ 4,97. O diesel S10, em média, ficou em R$ 7,24, e o S500 em R$ 6,99.
Já em Navegantes, os preços médios de março se mantiveram perto dos registrados em fevereiro. A gasolina comum foi encontrada a R$ 6,58 e a aditivada a R$ 6,72. O etanol teve leve alta, chegando a R$ 5,02. No diesel, os aumentos foram moderados: o S10 subiu cerca de 4,37%, com média de R$ 6,57, enquanto o S500 chegou a R$ 6,64.
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Com medo de desabastecimento, moradores chegaram a fazer corrida aos supermercados
O medo de um possível desabastecimento levou consumidores aos mercados da região na quarta-feira, mas o cenário já deu sinais de normalização na quinta.
Em visita ao Fort Atacadista, a reportagem encontrou movimento normal e funcionários reabastecendo as prateleiras. Trabalhadores informaram que não houve falta de produtos.
Um cliente, que preferiu não se identificar, contou que foi ao mercado na quarta por precaução, para comprar itens básicos como arroz e feijão, com receio de falta de produtos. Ele afirmou ainda ter notado aumento no preço de itens de limpeza. “Paguei R$ 27 na semana passada em um produto de limpeza e hoje uma marca inferior está quase R$ 50 ”, disse.
Segundo ele, a tensão em função da greve diminuiu rapidamente. “Ontem tinha filas quilométricas nos postos e mercados e hoje [quinta] está tudo vazio”, relatou.
O Procon informou que não recebeu denúncias sobre aumento de preços em supermercados e que não há registro de desabastecimento. Segundo o órgão, houve aumento no movimento, mas sem falta comprovada de produtos ou alta constatada nos preços.
Para denunciar possíveis abusos, é necessário informar o nome do estabelecimento, o produto, o valor cobrado e, se possível, apresentar foto da prateleira e nota fiscal. O atendimento pode ser feito pelo WhatsApp (47) 98855-7811.
A prefeitura informou que mantém monitoramento dos estoques e do abastecimento dos serviços públicos municipais por meio de fornecedores contratados, e que não houve impacto nas atividades.
Sobre supermercados e distribuidoras, o município informou que se trata de setores da iniciativa privada, sem controle direto da administração.
Justiça tinha proibido bloqueios de BRs e portos
A Justiça Federal de Santa Catarina já tinha proibido, através de decisão judicial, bloqueios de rodovias e acessos a portos no litoral norte do estado, como medida preventiva diante da possibilidade de greve. A decisão estabelecia multas de R$ 10 mil a R$ 100 mil por dia. Não houve fechamento de rodovias em SC. O ato em frente ao porto, na manhã de quinta, único dia da greve, também não prejudicou o trânsito.
A medida também proibia atos que impedissem o tráfego nas rodovias federais ou o acesso ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes. O texto reforçava o direito de ir e vir e a necessidade de garantir o abastecimento de produtos essenciais. Também destacava que manifestações grevistas são um direito, mas não podem impedir a livre circulação de pessoas nem prejudicar a economia regional e nacional.
As multas eram de R$ 10 mil por dia para pessoas físicas envolvidas ou responsáveis por bloqueios. Para empresas ou sindicatos que apoiassem as ações, o valor podia chegar a R$ 100 mil por dia. A decisão ainda autorizava a PRF e outros órgãos de segurança a atuar para manter as vias liberadas, identificar participantes e solicitar documentos.
João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
