Menos espaço, mais valor

Apartamentos compactos ganham espaço entre jovens compradores

Estúdios e lofts tornam-se protagonistas no mercado imobiliáriodiante das novas formas de morar e investir

Lofts avançam sobre áreas centrais de Itajaí, unindo reaproveitamento urbano e vida contemporânea (PAULO GIOVANY)
Lofts avançam sobre áreas centrais de Itajaí, unindo reaproveitamento urbano e vida contemporânea (PAULO GIOVANY)
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Os apartamentos compactos deixaram de ser uma tendência passageira e passaram a ocupar o centro das decisões de compra entre jovens de 21 a 35 anos. Cada vez mais presentes no mercado imobiliário, especialmente nos grandes centros urbanos, estúdios, lofts e unidades smart se consolidam como novas formas de morar bem, combinando funcionalidade, tecnologia e projetos de interiores pensados para otimizar áreas reduzidas.

A tendência está diretamente ligada a um novo estilo de vida urbano, marcado pela busca por mobilidade, praticidade e localização estratégica. Para muitos jovens compradores, morar perto do trabalho, de serviços e de áreas de lazer tornou-se mais relevante do que possuir grandes metragens.

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Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica confirma essa mudança no perfil do comprador. O levantamento aponta que a Geração Z, formada por jovens entre 21 e 28 anos, deve assumir protagonismo no mercado imobiliário nos próximos anos. Segundo o estudo, 61% dos jovens dessa faixa etária pretendem comprar um imóvel nos próximos dois anos.

O movimento ocorre em um cenário de resiliência do setor imobiliário, que manteve desempenho consistente mesmo diante de desafios econômicos recentes. Nesse contexto, os imóveis compactos ganham destaque por reunir praticidade, localização e potencial de investimento.

Alto potencial de valorização

Além do uso residencial, esses imóveis também atraem investidores. A liquidez elevada, aliada ao potencial de valorização e à rentabilidade com locações de curta e média permanência, no modelo conhecido como “short stay”, tem ampliado a procura por esse tipo de produto.

Segundo André Pereira, sócio-proprietário e diretor comercial da NF Construtora, o avanço dos apartamentos compactos acompanha mudanças no perfil das famílias e no comportamento de consumo e consolida uma tendência do mercado internacional.

“Com famílias menores, pessoas casando mais tarde e o valor dos imóveis em constante alta, cresce a busca por moradias mais acessíveis e funcionais. Além do custo inicial menor, os estúdios e lofts também atraem investidores interessados em renda com locação e valorização patrimonial”, afirma.

Outro diferencial desse modelo está na ampliação das áreas compartilhadas. Espaços de coworking, convivência, serviços e tecnologias integradas fazem com que o imóvel deixe de ser apenas um bem físico e passe a oferecer conectividade e experiências alinhadas ao estilo de vida urbano.

Para Fábio Inthurn, CEO da Lotisa Empreendimentos, a expansão desse tipo de produto em Itajaí reflete mudanças no comportamento urbano e nas estratégias de investimento. “A busca por localização, mobilidade e praticidade no dia a dia tem impulsionado esse tipo de produto. São ativos com menor desembolso inicial e grande aderência à locação de curta e média permanência”, explica.

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Daniel Borghetti, CEO da Axis Construtora, acrescenta que os empreendimentos compactos atuais incorporam tecnologias voltadas à gestão, eficiência e experiência do usuário. Já a valorização desse tipo de imóvel pode superar a de unidades maiores. Segundo Michele Verbena, da Verbena Inc., estúdios e lofts podem registrar valorização entre 30% e 35% acima da observada em apartamentos de dois ou três dormitórios.

Dados do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) da Foz do Rio Itajaí confirmam a expansão desse segmento. Em quatro anos, Itajaí triplicou o número de imóveis compactos lançados. O volume saltou de 307 unidades em 2022 para 1228 unidades em 2025, crescimento de cerca de 300%. No mesmo período, o Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado desse tipo de empreendimento chegou a R$ 1,7 bilhão.

Segundo Eduardo Agostini, presidente do Sinduscon da Foz do Rio Itajaí, grande parte da demanda por esse tipo de imóvel está ligada ao investimento. “A leitura é que esses produtos atendem a um perfil de investidor que busca liquidez, valor de entrada mais acessível e geração de renda por meio da locação”, afirma.

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Ainda assim, há também um recorte importante de moradia. “Os estúdios acabam se tornando uma alternativa para quem deseja viver em áreas centrais, em um contexto de escassez de imóveis disponíveis para locação e com preços mais acessíveis”, explica Agostini.

A estimativa do setor é que o déficit desse tipo de moradia seja absorvido gradualmente ao longo dos próximos anos. A projeção indica que, em um período de cinco a 10 anos, o mercado local poderá incorporar até 15 mil novas unidades compactas, acompanhando a maturação desse segmento.

Além de Itajaí, cidades da região também registram crescimento nesse tipo de empreendimento. Em Balneário Piçarras, foram lançadas 72 unidades em 2025, com VGV de R$ 26,3 milhões. Navegantes acumula 213 unidades e VGV de R$ 115,4 milhões nos últimos três anos. Já Penha registrou 313 unidades lançadas entre 2023 e 2025, com VGV de R$ 117,8 milhões.

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Em Balneário Camboriú, a legislação não permite lofts e estúdios. A diretora da Construção Civil da Secretaria de Planejamento, Francieli Pedron Schons, explica que atualmente é liberada a construção de apartamentos com, no mínimo, 50 metros quadrados. “Com a nova lei de microzoneamento, que está em tramitação no Legislativo Municipal, a área mínima passa para 40 metros quadrados, para incentivar apartamentos menores em alguns locais da cidade.”

Em Itapema, segundo Katiane Lapa, assessora especial da secretaria municipal de Planejamento, a construção de lofts e estúdios também não é permitida, não há essa previsão de uso para aprovação no município. O órgão informa que há possibilidade da construção de flats, que são projetos mais amplos, porém, sem divisórias. No entanto, o sistema do município não possibilita esse recorte nas estatísticas.



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