Direito de vizinhança
Quase 50 gatos dentro de apê, fedor, sujeira e confusão em BC
Idosa e filho viviam entre sujeira e mau cheiro em apartamento no centro
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
Um apartamento no centro de Balneário Camboriú virou alvo de reclamações por causa de sujeira, fezes de gato, restos de comida e um cheiro forte que, segundo vizinhos, toma conta do prédio. No imóvel, vivem uma idosa de 89 anos, debilitada, e o filho, de cerca de 60 anos, em meio a dezenas de gatos. O espaço tem entre 60 e 70 metros quadrados.
Moradores dizem que a situação passou do limite. “Tem fezes espalhadas, resto de comida e um cheiro insuportável”, contou um vizinho ao DIARINHO. Parte da comida seria jogada para gatos na rua, mas acaba apodrecendo e atraindo insetos e outros animais.
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Segundo vizinhos, o problema já não é só pelos bichos e virou questão de saúde. No prédio vivem 10 famílias, com idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, crianças com necessidades especiais e uma paciente com câncer.
De acordo com o protetor de animais Eduardo Capella, o caso tem sinais de dois quadros conhecidos: a síndrome de Diógenes, ligada ao acúmulo de lixo, e a síndrome de Noé, quando a pessoa junta muitos animais. Não há, porém, diagnóstico médico confirmado.
A prefeitura informou que acompanha o caso desde outubro de 2025, com atuação do Departamento de Proteção Animal (Depa), Bem-Estar Animal e Vigilância Sanitária. Na primeira vistoria, foram encontrados muitos gatos e acúmulo de objetos no apartamento.
Segundo o município, o morador contou que levou para casa os gatos e móveis após a morte de uma tia. Ainda em 2025, 18 gatos foram retirados e levados para a ONG Viva Bicho. Depois, oito gatos idosos foram castrados, com acordo para manter apenas animais castrados e mais velhos no local.
Em março deste ano, as ações foram retomadas. No dia 6, mais 20 gatos foram retirados e levados para a ONG. Outros quatro passaram por castração.
No dia 16 de março, a Vigilância Sanitária voltou ao imóvel e informou que o local estava limpo naquele momento, classificando a situação como regular. O órgão passou a fazer visitas semanais.
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Mais animais
Nesta semana, equipes voltaram ao local. Na segunda-feira, quatro gatos foram retirados. Na terça-feira, outros quatro saíram, chegando a 45 animais recolhidos.
Para quinta-feira, ficou combinado retirar mais dois gatos da família, enquanto a equipe tentava capturar outros três que vivem na área externa.
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Na visita mais recente, a Vigilância Sanitária encontrou novamente acúmulo de fezes e autuou os moradores, com prazo até quinta-feira para limpeza.
A diretora do Depa, Patrícia Ferreira, informou que a operação está na fase final e o número de animais pode chegar a 49 ou 50. Apenas os gatos mais velhos, já castrados e com apego aos moradores, devem permanecer no imóvel.
ONG acolhe os animais
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A ONG Viva Bicho informou que já recebeu mais de 45 gatos do caso. Os animais passam por avaliação, testes, vacinação, castração e depois seguem para adoção.
A entidade abriga mais de 160 gatos disponíveis e diz que esse tipo de recolhimento é gradual, principalmente com animais que vivem soltos.
Cobram solução
Para moradores e protetores, não basta retirar os animais. A avaliação é que o caso precisa de ação conjunta entre saúde, assistência social e proteção animal para evitar que a situação se repita.
Segundo Eduardo Capella, sem acompanhamento adequado, há risco de novos acúmulos. “Não adianta somente retirar os animais”, disse.
Caso virou confusão
As reclamações começaram antes da nova ação. O caso virou discussão entre moradores, ONG e autoridades.
Vizinhos criticam demora e a forma de atuação, com questionamentos sobre medidas adotadas. Há também divergências sobre falas de representantes do Depa e suspeitas envolvendo o trabalho de captura. Por outro lado, a ONG afirma que enfrentou dificuldades, como retirada de armadilhas usadas para capturar os gatos, e diz que o caso ganhou tom de perseguição.
No meio do conflito, moradores cobram solução definitiva, enquanto equipes afirmam que o problema exige tempo e acompanhamento contínuo.
Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
