Blogs | A bordo do esporte


A bordo do esporte

Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race


Até quando a altitude será problema para os times brasileiros?


Publicado 02/01/2026 11:05

Encerrada no final de novembro, com a conquista do Flamengo, a edição 2025 da Conmebol Libertadores, considerada a principal competição de clubes de futebol do continente americano, reacendeu uma velha discussão: como evitar que as equipes acostumadas à altitude levem vantagem? Melhor: o que fazer para que esse fator extracampo não seja decisivo? Na semifinal entre LDU e Palmeiras, por exemplo, isso ficou bastante claro. Jogando na altitude de 2.850 m de Quito, no Equador, a equipe brasileira foi arrasada por 3 a 0. No jogo de volta, em São Paulo, sem o peso das alturas, o time paulista goleou por 4 a 0 e passou para a decisão. No caso, valeu o critério esportivo, o jogo jogado só na bola.

A altitude sempre existiu, mas com a evolução técnica e tática das equipes equatorianas e bolivianas, acostumadas com a altura, ela passou a ser fator de alto risco de derrota para as demais. Como a Conmebol não parece disposta a considerar o fator casa e altitude no mando de jogos, resta saber o que os adversários podem fazer para não serem engolidos pelas alturas, antes mesmo do início da partida.

Na prática, o corpo começa a sentir os efeitos da altitude por volta de 1.500 metros. A 2.000 metros o impacto é claro e acima de 2 500 metros o rendimento cai acentuadamente. Em La Paz, na Bolívia, a 3 600 metros, um atleta não adaptado ao ambiente pode perder até 30% de sua capacidade aeróbica. “Nas alturas, o oxigênio entra no corpo de forma muito menos concentrada. Se para uma pessoa comum isso já causa um baita desconforto, com direito a dor de cabeça, tontura, náuseas, fadiga e falta de ar, para um jogador isso também significa queda de rendimento”, explica Keko Rödrigues, profissional de educação física. “O corpo dele é uma máquina que depende de uma oferta altíssima de oxigênio, também utilizada na produção de energia, para manter potência e conseguir se recuperar de um esforço, como no caso de uma arrancada”.

A boa notícia é que dá para minimizar os efeitos da altitude. A má é a impossibilidade de passar imune a eles, sem um período de adaptação de um mês, algo completamente fora de cogitação por conta do deslocamento constante que o calendário futebolístico pede. “No meu entender, a logística ainda é a melhor estratégia para conter danos: chegar no local da partida até 24 horas antes do início da mesma, quando os efeitos da altitude ainda são sustentáveis. O erro clássico é achar que ajuda antecipar a chegada em dois dias. Também é preciso controlar rigidamente a hidratação, recorrer a estratégias respiratórias, que passam pelo uso de máscaras de oxigênio, e fazer substituições planejadas para que mais atletas estejam em condição de jogo, à medida que os efeitos da altitude começam a ser sentidos”, aconselha Keko.

Para o profissional de educação física, a altitude é mais problemática que o fuso horário, quando não há adaptação. “Um atleta com sono ainda consegue competir e se esforçar. Mas não tem como ele sustentar a intensidade que o jogo exige, com baixa concentração de oxigênio no sangue. O fuso atrapalha o sono e a coordenação, a altitude afeta diretamente a produção de energia”, compara Keko.

Em termos de adaptação à altitude, em poucos dias o coração bate mais rápido e a ventilação aumenta. Em duas ou três semanas, o corpo passa a produzir mais eritropoietina (EPO), hormônio que atua na medula óssea, estimulando a produção de glóbulos vermelhos, essenciais para transportar melhor o pouco oxigênio em circulação. Nesse cenário ideal, o fator ambiente não seria problema para nenhum time brasileiro. Agora, ainda que haja reclamações e o visitante seja prejudicado, a altitude não é algo ilegal como o doping, mesmo criando um cenário muito difícil para quem não está acostumado, assim como o calor extremo e o gramado sintético. E não se engane: a ciência ainda está longe de resolver totalmente o problema, considerando uma adaptação a curto prazo, compatível ao calendário futebolístico.

Profissional de educação física formado pela Universidade Ibirapuera (SP), com ampla experiência como gestor técnico em redes de academias de grande porte. É cofundador e diretor técnico da maior rede de academias de eletroestimulação muscular de corpo inteiro da América Latina e uma das principais referências nacionais na criação de estúdios fitness na categoria premium. É também coautor do livro “Eletroestimulação de Corpo Inteiro”, voltado à formação e especialização de profissionais e empreendedores do setor.

Foto: Gerada por IA

 

 


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Você é favorável à via que vai ligar a beira-mar da Brava a Osvaldo Reis?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Epstein e a pedofilia como mercadoria de luxo da elite global

VIOLÊNCIA SEXUAL

Epstein e a pedofilia como mercadoria de luxo da elite global

Laboratório da polilaminina vendeu cloroquina e fez fortuna sob Bolsonaro

CRISTÁLIA

Laboratório da polilaminina vendeu cloroquina e fez fortuna sob Bolsonaro

Brasil gasta R$ 20 bi para pagar salários que a Constituição proíbe

CUSTO DO PRIVILÉGIO

Brasil gasta R$ 20 bi para pagar salários que a Constituição proíbe

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

ALERTA

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país

GUERRA

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país



Colunistas

Andressa Pera é lembrada na majoritária estadual

JotaCê

Andressa Pera é lembrada na majoritária estadual

Feliz Páscoa

Charge do Dia

Feliz Páscoa

Dourado em silêncio

Clique diário

Dourado em silêncio

Coluna Esplanada

A COP que não acaba

Vice de João Rodrigues vem do norte

Coluna Acontece SC

Vice de João Rodrigues vem do norte




Blogs

Century 21 Signature, rede de imobiliárias com unidades em mais de 120 países, inaugura em Balneário Camboriú

Blog do Ton

Century 21 Signature, rede de imobiliárias com unidades em mais de 120 países, inaugura em Balneário Camboriú

Mídias sociais na administração pública

Blog do JC

Mídias sociais na administração pública

Onde o medo aprende a ceder

VersoLuz

Onde o medo aprende a ceder

Dia Mundial da  Conscientização do Autismo

Papo Terapêutico

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Speed Park comemora resultados do evento de turismo e esporte

A bordo do esporte

Speed Park comemora resultados do evento de turismo e esporte



Podcasts

Vai ter rodeio e shows gratuitos em Camboriú

Vai ter rodeio e shows gratuitos em Camboriú

Publicado 02/04/2026 19:53



Jornal Diarinho ©2026 - Todos os direitos reservados.