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O zum-zum-zum da política e o ti-ti-ti dos políticos


A cadela de Brecht


Publicado 23/04/2026 08:53

 

O dramaturgo alemão Bertold Brecht disse lá atrás uma frase que atravessou o tempo. Foi na época da segunda grande guerra, lá pelos idos de 1940, e é válida até hoje: “O fascismo é uma cadela (isso não é sobre cachorros) que está sempre no cio”. E é a pura verdade. Pode ter outra cara, pode ter outro nome, mas ela sempre volta a dar filhotes, basta uma oportunidade. E essa oportunidade foi dada nos tempos atuais.

Me engana que eu gosto

Pela lógica, o fascismo não poderia nunca vir pelo voto da população, porque o fascismo é, antes de tudo, totalmente contra o pobre. Ele vive da exploração do pobre. Mas o engraçado (engraçado não, triste) é que ele vem quase sempre pelo voto. Foi o voto que elegeu Hitler, Mussolini e outros tantos. E continua elegendo. E elege porque as pessoas, quanto mais pobres, menos se interessam por política. Aí levam no toba...

Fascismo, como assim?

“Fascismo” é um nome que a maioria das pessoas escuta, mas que não significa nada pra elas. E, por não saber seu significado, caem como patinhos... Depois é tarde. O fascista é, antes de tudo, um nacionalista ferrenho, um militarista, alguém que bate no peito e usa a religião como forma de manipulação. Ele tem obsessão com a segurança nacional e desprezo pelos direitos humanos. Ele odeia o “outro”.

Mais

O fascista também odeia intelectuais e artistas, qualquer coisa que tenha inspiração ou que conteste o que ele pensa, porque é um totalitarista. Também não gosta, óbvio, da imprensa, essa ele busca sempre controlar, censurar e/ou manipular... Tudo, menos a verdade! É um preconceituoso, um racista, um misógino, um armamentista... E, mesmo com todos esses defeitos, quando chega ao poder é idolatrado... Vai entender...

O monstro no espelho

Eu acho – mas é só palpite – que, talvez, o grande segredo do sucesso do fascismo, e de sua volta constante sempre que derrotado, é que ele existe dentro do ser humano. Ele faz parte dos arquétipos humanos. Arquétipos esses que numa sociedade justa e fraterna ficam adormecidos, escondidos, envergonhados de se manifestar diante da baixeza dos seus instintos.

O demagogo raivoso

Aí, quando a situação está difícil – e quase sempre está – surge, do nada, o demagogo raivoso. Ele ganha voz e vez quando diz que a razão da pobreza está nos outros – mas não os “outros” capitalistas exploradores dos meios de produção e dos operários; os “outros” dos demagogos fascistas são criações imaginativas como “comunistas”, imigrantes e por aí vai... Ele lança o ovo da serpente.

O ovo da serpente

E, desse ovo, nascem os demais inimigos do povo na versão fascista, que são os intelectuais, os gays, as mulheres, os pobres, os moradores de rua, os bandidos contra os quais devemos nos armar para nos defender, os ecologistas, os não cristãos, e qualquer um que represente qualquer diferença do modelo protótipo “europeizado”. Sim, porque o fascismo é uma invenção europeia... Vai ver que é por isso que tem tanto aqui em SC...

Armados até os dentes

Todas as colocações e premissas fascistas têm uma coisa em comum: são falsas. Daí o sucesso das fake news... Quer ver uma? “Temos que nos armar para nos defender dos bandidos”. O jornalista Caco Barcellos trouxe, numa entrevista em janeiro deste ano, números sobre a criminalidade no Rio de Janeiro que são de cair o queixo e revelam a mentira por trás de se armar até os dentes.

Dados da vida real

Os números citados por Barcellos, referentes a análises de segurança pública, dizem que os bandidos (assaltantes/traficantes) são responsáveis por cerca de 4% das mortes por arma de fogo no estado. Policiais são responsáveis por cerca de 30% das mortes. E que “gente comum", cidadãos de bem, são responsáveis por aproximadamente 66% das mortes, grupo que, segundo Barcellos, tornou-se o mais violento no contexto atual. Sacaram?

Fake news

Isso explica o porquê da obsessão dos fascistas por notícias falsas, e é muito simples: as notícias e os dados verdadeiros não batem com nada do que eles pregam nas redes. Não batem com nada do que eles dizem. A verdade não serve ao fascismo, simplesmente porque a verdade não serve à guerra. Quando se quer guerra, a primeira vítima é a verdade. E eles querem só isso: guerra.

E lucro

E, em meio à guerra de versões, em meio à guerra de mentiras, em meio à guerra de ódios, em meio à guerra de preconceitos, os fascistas fazem o que realmente lhes interessa: tomar conta do estado para poder encher os bolsos, para vender patrimônio público, para favorecer potências estrangeiras à custa de comissões e afagos caninos...

A cadela de Brecht

Sim, porque a cadela à qual Brecht se refere gosta que os poderosos, aqueles aos quais vende o país, lhes afaguem a cabeça, cachorras pulguentas que são... Mas, afinal, porque eu comecei a falar disso mesmo? Ixi! Esqueci... Tô ficando ‘veio’... Mais essa agora...

Foto (Imagem ilustrativa)

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