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Victor Meirelles, uma Escola 
Pública para Itajaí


Uma das maiores preocupações do governo após a proclamação da República foi oferecer uma educação popular capaz de civilizar e moralizar a população reconhecendo que no regime monárquico a escola pública era deficiente.

Em 1910, quando Vidal Ramos, o governador de Santa Catarina, iniciava o seu governo, estabeleceu como uma de suas prioridades realizar uma grande reforma da Educação, que fosse inovadora e radical, como as escolas já criadas em São Paulo, com características de escola graduada, possibilitando a educação popular do Brasil na zona urbana.

Surgiu então a escola pública de ensino primário com quatro anos de escolaridade, denominada Grupo Escolar, com um programa que previa uma educação integral visando a formação do físico, do intelecto e da moral.

A cidade de Itajaí foi contemplada com um dos seis Grupos Escolares implantados em Santa Catarina. Em 1913 inaugurava-se o Grupo Escolar Victor Meirelles, na rua Hercílio Luz, a principal da cidade.

A implantação desses grupos escolares mudou a história do ensino público primário no Brasil. Além de um ensino seriado, havia um professor normalista para cada série e um diretor.

“Era um projeto cultural que ia muito além da simples transmissão do conhecimento e implicava na formação de valores morais e cívicos para o desenvolvimento do espírito de nacionalidade, valorizando os ideais republicanos.”

Passados quase 80 anos de atividades, as paredes do prédio, já envelhecidas pelo tempo, estavam necessitando de um repouso para se manterem firmes, deixando livre aquele espaço acumulado de sons e do movimento de milhares de pessoas que ocuparam o ambiente. A construção foi aproveitada para atividades culturais, que diminuiria o afluxo de tantas pessoas e ali se instalou a Casa da Cultura, em 1982.

Mas a educação pública continuou a ser desenvolvida em outro prédio construído no mesmo terreno da escola e até hoje a Escola de Ensino Médio Victor Meirelles vem contando a história da educação da cidade de Itajaí.

De repente, surge a notícia de que o estado vai fechar a escola e o prédio será entregue ao município, que aproveitará o espaço para atividades culturais.

Qual o motivo? Há um sussurro de que outras escolas foram construídas e que os alunos terão que preencher as vagas ali existentes.

Ora, fechar uma escola com mais de mil alunos porque há outras com vagas, não é argumento que mereça aprovação de pessoas de bom senso, pois sabemos que a população aumenta e, em poucos anos, haverá necessidade da construção de outras escolas. É de se pensar, também, que quando se fecha uma escola, é muito provável que se construam cadeias.

E o que dizer do fechamento de uma escola que foi a primeira da grande reforma da educação, instalada em Itajaí, com uma história de 113 anos, formando cidadãos que engrandeceram e engrandecem a cidade, que receberam as primeiras noções de patriotismo e boa convivência?

O prédio, que era do Grupo Escolar Victor Meirelles, passou a se chamar Casa da Cultura Dide Brandão e o nome da escola desapareceu. Agora, a escola de Ensino Médio está prestes a desaparecer?

Pelos motivos mencionados acima, os cidadãos desta Cidade precisam valorizar a Escola de Ensino Médio Victor Meirelles, preservando a sua história como patrimônio da educação de Itajaí, requerendo a permanência desta “escola da República”, instituída logo após a proclamação.

Os itajaienses precisam se orgulhar deste símbolo da Educação Pública da cidade e reivindicar é uma boa reforma no prédio, condizente com sua importância.


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