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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Emancipacionismo em Itajaí


Bastante tem se discutido nas mídias em Itajaí, nestes últimos tempos, proposta de se emancipar ou não o território da estrada de Brusque para formar um novo município, Verde Vale. O emancipacionismo não é tema novo. Ele está presente na história itajaiense desde o século 19. Em três momentos históricos distintos, ele emergiu fortemente, subdividindo a área do grande município de Itajaí, instalado em 15 de junho de 1860. O primeiro desses momentos fora no fim do Império, quando Itajaí experimentou maior progresso econômico e suas primeiras colônias, crescendo, buscaram autonomia: Blumenau, 1880; Brusque, 1881 e Camboriú, 1884. Camboriú não se enquadrava como fundação colonial, mas se desenvolveu e experimentou significativo progresso nessa época. Na segunda metade do século 20, por conta das disputas entre UDN e PSD, em que cada um dos partidos buscava se fortalecer politicamente nas diferentes regiões do município, os então distritos de Itajaí foram um a um emancipados, todos no mesmo ano de 1958: Penha, Ilhota e Luiz Alves. Os dois primeiros, por obra da UDN, para poder nomear provisoriamente prefeitos udenistas em áreas tradicionais do PSD; o último, Luiz Alves, por iniciativa do PSD, para enfraquecer a UDN que perderia um distrito em que sempre se saiu vitoriosa. Mas o movimento de emancipação que mais polemizou Itajaí foi aquele da década de 1960, quando bairros da cidade também pretenderam se emancipar. Navegantes obteve sucesso em 1962. Todavia, quando em 1965, do mesmo modo Cordeiros teve tal pretensão, ela foi peremptoriamente obstada pela Câmara de Vereadores. À época, o perímetro urbano ia até o rio Itajaí-mirim e toda extensão de Cordeiros, Murta e Espinheiros era zona rural, apesar do intenso processo de urbanização já vivenciado ali. Daí a causa do movimento, que reclamava da desatenção do governo municipal. Aliás, a mesma alegação de agora; o que mostra que os governos não aprendem, apesar dos ensinamentos da história. Na época, a polêmica chegou às rádios e páginas dos jornais e o grande jornalista e intelectual Jaime Fernandes Vieira que, como excelente trovador e crítico dos costumes das gentes e da cidade, assinava a coluna “Fora do Sério”, no Jornal do Povo, com o pseudônimo de Zé Fumaça, publicou estas jocosas trovas: Espinheiros e Salseiros Toca da Onça e Cordeiros Com a Prefeitura agastados Começaram a se virar Para um só bloco formar E ficarem emancipados... Pretextando igual direito Vão agir do mesmo jeito Sem disto fazer mistério A Fazendinha e a Fazenda Que já têm sobra de renda Da taxa do cemitério... * historiador


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