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Adeus às livrarias?


Notícias recentes de impacto no meio cultural brasileiro foram os pedidos de recuperação judicial das duas maiores redes de livrarias do país, atoladas em dívidas impagáveis no modo habitual. Essas providências extremas vieram acompanhadas do fechamento de livrarias das mesmas redes em diversas cidades brasileiras. Analistas e agentes culturais traçaram mapas explicativos do porquê de tudo isso estar acontecendo. A crise econômica que se abateu sobre o Brasil; negócios temerários daqueles gestores livreiros; a competição dos livros virtuais e das compras on-line e por aí vão as tantas explicações. Todavia, o fato é que também livrarias de médio e pequeno porte têm sido levadas a encerrar seus negócios em muitas cidades do Brasil. Aqui mesmo em Itajaí, encerrou suas atividades, agora recente, a Livraria da Univali. Isso, sem que seus gestores tenham sido necessariamente imprudentes ao fazer negócios. Há, portanto, não apenas uma causa, mas, várias. E uma questão de fundo: o brasileiro lê pouco, sua frequência às livrarias é baixa e ele adquire livros muito esporadicamente. A história das livrarias em Itajaí, por exemplo, deixa demonstrado como, desde o início do século XX, fizeram-se tentativas de estabelecer na cidade esses espaços culturais e de mantê-los em funcionamento, poucas vezes com algum êxito. A primeira livraria foi aqui aberta pelo alemão Eugênio Currlin em 1907 e já no final da década seguinte ela era transacionada para o jornalista Juventino Linhares, que conseguiu mantê-la aberta até os primeiros anos de 1930. A esse fechamento, o professor, jornalista e advogado Dr. Francisco Rangel, em sequência, abriu a sua Livraria Rangel, a qual também teve duração de mais de três décadas. Quando na cidade se puseram a funcionar as primeiras faculdades de Filosofia e Direito, anexa ao Cine Rex, na rua XV de Novembro, no ano de 1966 foi aberta a Livraria Universitária. A expectativa era que um público universitário nascente garantiria o êxito da iniciativa. Entretanto, não fora o que aconteceu e, dois anos depois, o proprietário venderia seu estoque remanescente para a nova Livraria Santos, aberta na Galeria Rio do Ouro. A Livraria Santos e a Livraria do Edir, que seria aberta no começo dos anos 1970, tiveram existência mais longeva, a primeira, até os anos de 1980 e a segunda, até os 2000. Outras livrarias, nesse meio tempo, abriram e fecharam na cidade, como muito pouco tempo de funcionamento, até que recentemente se instalou no shopping daqui uma bem montada livraria, que se espera possa ter vida longa. Porque as livrarias, como espaços de cultura, mantendo a tradicional proposta de serem locais de encontros e de surpresas, que a internet não oferece, nunca vão se despedir de nós!


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