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Dê um colo para o livro


Já ouvimos insistentemente sobre a importância da leitura para crianças. Ler com elas, para elas e ouvir suas leituras de mundo trazem alento ao apressado mundo que insiste em nos enrolar com seu tempo ligeiro, tarefas por fazer, compromissos. Ufa, e ainda atender as redes sociais. Ouvimos sobre o tema, mas realmente já é prática em nosso tão agitado dia-a-dia? Pouco falamos sobre a construção da linguagem que já começa no útero e se desenvolve a vida toda. Talvez nem pensemos que a criança dança, ri, canta, olha, ouve e cria sua própria linguagem antes de decodificar os símbolos gráficos que dominam a comunicação humana. Um bom livro infantil possui afetos nas palavras e retira do nosso dia um detalhe, uma imagem, um acontecimento, um evento que não paramos para dar sua devida importância. Livros infantis devem ser lidos URGENTEMENTE por adultos tão carentes da sua criança interior. Nessa semana festejamos a Semana Nacional do Livro Infantil e o homenageado é Monteiro Lobato. Eu diria que ele foi o responsável por colocar minhoquinhas no meu cérebro. Sentia cócegas no cérebro quando conheci personagens criados por ele. A cozinha encantada de Tia Anastácia ou as peripécias de Emília. Morava nas aventuras de Pedrinho e Narizinho e ficava encantado com a sapiência de Visconde de Sabugosa. E não posso esquecer, é claro, do Jeca Tatu, doente, sem energia e preguiçoso. Lobato narrou um dia: Jeca não é assim, está assim. Foi meu primeiro encontro com as agruras sociais. Fui estudar História na faculdade. Precisamos ouvir os livros infantis e suas belas narrativas. Esquecemos dia após dia a criança que habita em nossas histórias pessoais. Como não ficar sensibilizado com um personagem que se refugia num pé de laranja lima, que ouve memórias de avós, ou daquele que burla o relógio para olhar o que há de belo no mundo? Claro que não podemos deixar de ouvir um menino pequeno que criou o seu planeta onde é permitido ter muitos pores de sol ou sentir a emoção de um colecionador de silêncios. Tudo pode quando olhamos para o mundo com sensibilidade. O nosso lugar no mundo é aquele que palpitamos ao olhar. Podemos imaginar, e é momento exclusivamente nosso. O maior inimigo da imaginação tem sido a insistente cobrança para sermos produtivos para um mercado de sucesso. Quanto mais razão, menos criação. Para hoje quero compartilhar com vocês uma mãe que voa. Sim, ela pode voar, basta imaginar. Fica a dica: Livro: A Mãe que Voava De Caroline Carvalho (escritora radicada em Itajaí), com ilustrações de Inês da Fonseca. Editora Aletria.


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