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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Breves histórias de epidemias


Pelo porto, entrava uma diversidade de gentes, ideias e riquezas, mas também entravam perigosas moléstias. Itajaí, desde a segunda metade do século 19, sofreu assédio de assustadoras e mortíferas epidemias. É o que ficou registrado nos anais da história itajaiense e se vai aqui brevemente contar. Ver-se-á, então, que temores e cuidados de agora, com a pandemia do Coronavírus/Covid-19, guardam semelhanças com o que já se passou na cidade nos séculos anteriores. É de 1854 o primeiro registro encontrado de uma epidemia na então Freguesia do Santíssimo Sacramento de Itajaí. Fora a da bexiga ou varíola. Para cá, o presidente da Província de Santa Catarina remetera alguns medicamentos, “senão para obstar a invasão, ao menos para minorar os sofrimentos públicos.” Daí em diante, determinou-se impedir entrada no porto de Itajaí de navios procedentes de áreas infectadas, devendo antes cumprir quarentena na fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, na baía norte, da Ilha de Santa Catarina. Os cuidados sanitários, no entanto, pareceram de pouca valia. Em 1878, a febre amarela grassou na cidade de Itajaí, assim como, em São Francisco do Sul, os dois maiores portos de Santa Catarina. Na ausência de um serviço público de saúde, formou-se uma “comissão de higiene” formada pelo médico, juiz de direito, delegado de polícia e vigário. A comissão trabalhou bem e o vigário, em especial, recebeu esse elogio público: “o padre Almeida foi incansável em socorrer pobres e ricos a qualquer hora não só como sacerdote, como também por prestar serviços médicos e quase sempre com melhor resultado.” No começo do século XX, em 1908, outra epidemia de varíola tomou conta da cidade, começando pelos bairros populares da Coloninha e Fazenda, espalhando depois insegurança e pavor por todo lado. Determinou-se a retirada obrigatória dos doentes de suas casas, criando-se isolamento num abrigo construído em terreno que ficava nos fundos do atual Cemitério da Fazenda e surgiu pela primeira vez a vacinação. Contra o isolamento obrigatório e a vacinação houve muita resistência. A vacinação, por serem poucas as doses recebidas, primeiro era feita em indivíduos sadios; depois, das pústulas desses vacinados, retirava-se material para imunizar outras pessoas. Daí o medo que se tinha de receber a vacina com esse material. Mas foi a pandemia de gripe, da chamada “Influenza Espanhola” ou “Gripe Espanhola”, ou simplesmente a “Espanhola”, como o povo a ela se referiu, que marcou época em Itajaí. Um navio aportado em Florianópolis desembarcou passageiros doentes. Vinte dias depois, em outubro de 1918, o vírus já havia chegado a Itajaí e se alastrado nas zonas urbana e rural. O jornal O Commercio informou: “Durante 20 dias, a peste assolou Itajaí, causando estrago e infundindo horror.” De fato, foram 3000 pessoas infectadas e 137 mortes, quando a população do município ficava em torno de 30 mil habitantes.


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