Colunas


Coluna Fato&Comentário

Coluna Fato&Comentário

Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Mais um patrimônio histórico a perigo


 

Muito boa, extensa e recente reportagem do DIARINHO trouxe ao conhecimento público o grave risco que corre atualmente a casa em que funcionou, até bem pouco, a sede da Polícia Federal de Itajaí, na rua XV de Novembro,  depredada e sob ameaça de destruição por vândalos e pelo abandono irresponsável  do poder público, seu proprietário.

O histórico do que se passa com aquele prédio de valor histórico e arquitetônico é digno de um drama kafkaniano, conforme relatado na reportagem pelo responsável da área cultural da municipalidade. O município quer o prédio para si, para nele sediar o Conservatório de Música Popular, mas quando lhe foi oferecido, alguém na prefeitura  não  sabia disso e recusou. Pois agora,  o município aguarda que a  modorrenta burocracia oficial torne (ou não) a lhe fazer a oferta. Enquanto, isso, no abandono negligente, o imóvel é degradado e  destruído.

Cumprirá ele a mesma sina do prédio dos Correios?

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Muito boa, extensa e recente reportagem do DIARINHO trouxe ao conhecimento público o grave risco que corre atualmente a casa em que funcionou, até bem pouco, a sede da Polícia Federal de Itajaí, na rua XV de Novembro,  depredada e sob ameaça de destruição por vândalos e pelo abandono irresponsável  do poder público, seu proprietário.

O histórico do que se passa com aquele prédio de valor histórico e arquitetônico é digno de um drama kafkaniano, conforme relatado na reportagem pelo responsável da área cultural da municipalidade. O município quer o prédio para si, para nele sediar o Conservatório de Música Popular, mas quando lhe foi oferecido, alguém na prefeitura  não  sabia disso e recusou. Pois agora,  o município aguarda que a  modorrenta burocracia oficial torne (ou não) a lhe fazer a oferta. Enquanto, isso, no abandono negligente, o imóvel é degradado e  destruído.

Cumprirá ele a mesma sina do prédio dos Correios?

A ex-sede da Polícia Federal é hoje o único exemplar de arquitetura art-déco da cidade de Itajaí, posto que com alguns elementos  clássicos, compondo um conjunto em estilo eclético. O ecleticismo na arquitetura significou a justaposição numa mesma edificação de elementos escolhidos em diferentes estilos.  A obra edificada em 1934 é uma sólida, vistosa e elegante construção de dois pavimentos, que bem poderia chamar-se de palacete.

A casa é exemplar de residência dos grandes empresários do comércio de exportação e importação, bem como, de prestadores de serviços no porto de Itajaí do começo do século XX.  A grande exportação de madeira fizera surgir na cidade uma classe burguesa endinheirada que buscou morar e viver com confortos.

Nelson Seára Heusi, que a mandara construir  para residência de sua família, prosperou em seus negócios associados a despachos aduaneiros. Teve destacada atuação política como vereador e presidente da Câmara Municipal e sempre foi ligado às atividades sociais e ao esporte, notadamente ao hipismo, tendo inclusive mantido por longos anos um haras próprio.

Não se encontrou registro que indicasse a autoria do projeto arquitetônico da construção. Nas plantas baixas existentes no Arquivo Público de Itajaí, que integraram o processo de licenciamento da obra em 1934 pela prefeitura de Itajaí, há espaço para tal indicação. No entanto, o espaço se encontra em branco. Tudo leva a crer, mesmo assim, que o autor desse projeto arquitetônico tenha sido profissional técnico de grande gabarito, atualizado com  estilos e padrões de arquitetura em voga no Brasil das primeiras décadas do século passado, quando se fazia a transição do neoclássico para o art déco.

Embora intervenções externas e internas feitas posteriormente,  sem cuidado com a proposta da arquitetura de origem,  tenham ocasionado algumas alterações, no entanto, a elegante construção guarda muito da sua beleza arquitetônica original e imponência visual. É valioso registro artístico e histórico, que deve ser preservado e protegido logo; antes que se perca.   Com a palavra,  o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural!


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Agricultura familiar leva revés do Estado

JotaCê

Agricultura familiar leva revés do Estado

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Clique diário

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Coluna Esplanada

Mulheres no front

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Coluna Acontece SC

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Casório em Cabeçudas

Coluna do Ton

Casório em Cabeçudas




Blogs

Para onde está indo a nossa saúde mental, como indivíduos e como coletividade?

Espaço Saúde

Para onde está indo a nossa saúde mental, como indivíduos e como coletividade?

Carangas abandonadas, viram caso de calamidade pública

Blog do JC

Carangas abandonadas, viram caso de calamidade pública

Quando o sentimento não usa máscara

VersoLuz

Quando o sentimento não usa máscara

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

A bordo do esporte

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

Uma entrevista interessante

Blog do Magru

Uma entrevista interessante






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.