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A cidadania sem gênero


O dia Internacional da Mulher é um evento entusiasmante por vários motivos e desestimulante em tantos outros. Se de um lado é efervescente o debate político sobre a condição da mulher na sociedade, por outro os afagos ao feminino, neste dia, freiam e retrocedem qualquer campo de luta.

O aparente “aniversário coletivo” das mulheres, cujo dia faz com que a condição de ser mulher provoque condecorações com presentes, descontos em produtos e serviços no mercado, e mensagens de glorificação, dissimulam o fenômeno principal deste dia. Cada vez que alguém parabeniza uma mulher por sua condição de gênero na espécie humana acaba por obstruir a batalha por uma sociedade democrática. A homenagem de gênero de espécie aumenta a nebulosidade sobre o que deveria, concreta e arduamente, ser tratado.

Neste dia tão importante duas batalhas se manifestam. Comecemos por aquela que é decorrência [sic]. O Dia Internacional da Mulher não se refere a um estrato da sociedade que, por encantos extraterrenos, teriam uma data de aniversário comum. As mulheres homenageadas neste dia não significam uma segmentação de gênero, mas a representação política de que mulheres são fortes, capazes e apresentam o mesmo potencial quando comparadas a qualquer membro da sociedade.

O dia Internacional da Mulher tem seu valor político pela luta que representa, pela virtude da igualdade necessária, pela trilha dos direitos comuns para todos. Direitos que surgem da cidadania e não do gênero. Não é ser mulher, mas sim ter a mesma cidadania de qualquer outro agente da sociedade.

Este é um Dia da batalha pela Igualdade de Gêneros. Igualdade que quando atingida fará desaparecer o dispositivo de gênero; igualdade que ao ser alcançada será a sustentação da cidadania sem adjetivações. É pela cidadania que gritamos hoje! Esgoelamo-nos para que não haja diferenças entre homens e mulheres em condições sociais e políticas. E tanto faz que seja nas “alturas” do Palácio do Planalto ou que seja na esquina da próxima dobradura da cidade.

Não é a comemoração de um aniversário coletivo, mas a exaltação de uma luta que deseja direitos e deveres iguais. Na seara política a igualdade é comum de dois gêneros, os deveres são comuns de dois gêneros, os direitos são comuns de dois gêneros. Esta luta idealiza o futuro e invade o presente. Eis porque um dia tão especial.

A você, homem, que luta por democracia de gênero, e a você mulher que luta por democracia de gênero, rosas de todas as cores, como homenagem e como revigoramento porque esta batalha continua amanhã.

Por hora vale o símbolo da luta: dia Internacional da Mulher. Por todo vale a luta de todos os dias: luta por democracia de gênero.


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