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Não é só futebol


O futebol marca muito mais do que a prática de um esporte. Envolve um conjunto de personagens que, cada um em seu território, é capaz de nos apresentar um tanto de nossa forma de ser. Primeiro são os próprios atletas que, tentando formar um conjunto articulado, tentam se defender dos ataques do adversário. Ao mesmo tempo atacam o adversário tentando vencê-los. As equipes são organizadas em especialidades de defesa, articulação e ataque em variados sistemas de jogo. Há entre eles o capitão, uma espécie de liderança organizacional e motivacional. O técnico e seus auxiliares são os responsáveis pela organização e formação tática e estratégica da equipe de acordo com local e adversário. São como soldados de uma guerra!

Os árbitros são aqueles que estão obrigados a manter as regras do desafio em evidência, punindo se necessário e alertando quando possível. A despeito de todo o processo de regras e punições, ocorrerão as faltas [atitudes contrárias às regras] que serão apontadas pelo juiz [monocrático e supremo] com apoio de imagens para análises técnicas imediatas se for o caso.

A torcida se envolve emocionalmente como se estivesse em período medieval. Não raro se atacam nas ruas, provocam mutilações e mortes, incendeiam o ódio e observam na torcida dos adversários o rival de guerra. O processo de enfrentamento de torcidas equivale aos confrontos da Idade Média cuja vitória de um é a eliminação do outro. Há, por certo, torcedores que desejam o bom desempenho de sua equipe. Caso contrário a tristeza lhe abate o ânimo até a próxima rodada. Em todos os casos, os aspectos morais do cotidiano ficam suspensos e xingamentos a jogadores e juízes formam o padrão da manifestação. Não se entra no estádio com flores.

Por vezes há o craque da equipe: um super herói. Atletas muito habilidosos são considerados referências extraordinárias capazes de driblar os adversários e desfazer sua organização de ...

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Os árbitros são aqueles que estão obrigados a manter as regras do desafio em evidência, punindo se necessário e alertando quando possível. A despeito de todo o processo de regras e punições, ocorrerão as faltas [atitudes contrárias às regras] que serão apontadas pelo juiz [monocrático e supremo] com apoio de imagens para análises técnicas imediatas se for o caso.

A torcida se envolve emocionalmente como se estivesse em período medieval. Não raro se atacam nas ruas, provocam mutilações e mortes, incendeiam o ódio e observam na torcida dos adversários o rival de guerra. O processo de enfrentamento de torcidas equivale aos confrontos da Idade Média cuja vitória de um é a eliminação do outro. Há, por certo, torcedores que desejam o bom desempenho de sua equipe. Caso contrário a tristeza lhe abate o ânimo até a próxima rodada. Em todos os casos, os aspectos morais do cotidiano ficam suspensos e xingamentos a jogadores e juízes formam o padrão da manifestação. Não se entra no estádio com flores.

Por vezes há o craque da equipe: um super herói. Atletas muito habilidosos são considerados referências extraordinárias capazes de driblar os adversários e desfazer sua organização de combate. São como símbolos do que desejamos fazer na vida: driblar os obstáculos, suplantar as adversidades, vencer os desafios, alcançar as metas e ser glorificado por todos ou quase todos.

O futebol, como esporte, é uma síntese da sociedade. Também no que identificamos como machismo em tempos atuais. Toda a história do futebol, até então, foi feita e narrada por homens. Até mesmo a audiência é, em sua maioria, constituída pelo gênero masculino. Futebol, como esporte, é uma prática pública de glorificação pública, tal qual o mercado de trabalho: até então, feita e narrada por homens. As novelas com seus dramas, reveladora do mundo privado, são endereçadas às mulheres!

Marta, símbolo do sucesso feminino do futebol, abriu as cortinas do espetáculo em atos de democracia de gênero. Afirmou em entrevista que sua própria trajetória foi feita de rompimentos. Marta teve que enfrentar preconceitos, frases indigestas, provocações machistas, silêncios opressores. Marta declara neste momento que não tivera um símbolo para motivação, não tivera apoio para vencer suas próprias vitórias, não tivera o aceite prévio para praticar futebol, não tivera referência para seguir.

Marta, agora como símbolo e referência aos outros, grita seus gols de placa e vibra com a torcida por ter atingido parte da meta: a democracia de gênero é o uniforme que simboliza as possibilidades de viver de conquistas públicas em ambientes públicos como mercado, esporte e política. Marta, como símbolo e referência, fez um golaço!


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