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Sobre os “monstros” em cada um de nós


Sobre os “monstros” em cada um de nós
(foto: freepik gerado por ia)

Corrupção, sequestro, suicídio... Violência gerando violência. “O mundo está ao contrário e ninguém reparou.” Aprendemos a justificar um erro com uma mentira e a resolver um problema apontando um culpado. Afinal, em um mundo caoticamente imoral, mais uma mentirinha nem vai fazer diferença. E assim damos continuidade ao ciclo de violência social, psicológica e física.

Ao longo da vida, acumulamos medos, incertezas e fracassos, os quais não podemos expor, afinal, falar sobre nossas inseguranças é sinal de fraqueza. Guardamos mágoas, raiva e traumas até não caber mais em nós. Então explodimos. Jogamos violentamente para fora o que não conseguimos mais conter e quem estiver por perto que desvie do “sabugo”. Embora seja difícil aceitar, somos frágeis e essa catarse periódica está aí para nos mostrar isso.

Acontece que cada um tem uma experiência de vida, portanto cada um tem uma maneira própria de expulsar esses traumas de si. Algumas pessoas são mais agressivas, outras um pouco mais contidas, alguns arremessam a fúria nos outros e outros implodem, acabando consigo mesmos. A verdade dolorida é que, no fundo, reconhecemos esses gestos de agressividade – em maior ou menor grau –, também dentro de nós. E isso nos assusta.

Não sabemos do que somos capazes quando estamos com raiva. No momento de fúria xingamos, batemos, brigamos e não nos reconhecemos. É como se estivéssemos “fora de si”. Depois da tormenta ...

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Ao longo da vida, acumulamos medos, incertezas e fracassos, os quais não podemos expor, afinal, falar sobre nossas inseguranças é sinal de fraqueza. Guardamos mágoas, raiva e traumas até não caber mais em nós. Então explodimos. Jogamos violentamente para fora o que não conseguimos mais conter e quem estiver por perto que desvie do “sabugo”. Embora seja difícil aceitar, somos frágeis e essa catarse periódica está aí para nos mostrar isso.

Acontece que cada um tem uma experiência de vida, portanto cada um tem uma maneira própria de expulsar esses traumas de si. Algumas pessoas são mais agressivas, outras um pouco mais contidas, alguns arremessam a fúria nos outros e outros implodem, acabando consigo mesmos. A verdade dolorida é que, no fundo, reconhecemos esses gestos de agressividade – em maior ou menor grau –, também dentro de nós. E isso nos assusta.

Não sabemos do que somos capazes quando estamos com raiva. No momento de fúria xingamos, batemos, brigamos e não nos reconhecemos. É como se estivéssemos “fora de si”. Depois da tormenta, a calmaria assusta. Podemos ver às claras nossos receios, agora menos fantasmagóricos e mais nítidos. Nosso medo tem cara, tem cheiro, tem memória. Nossa fragilidade se apresenta para nós e não sabemos como aceitá-la, afinal, fomos criados para sermos fortes.

Nessa dificuldade em aceitar nossos monstros vamos culpando os políticos pela corrupção (sem pensar que nós os elegemos), inventamos uma dor de cabeça para não darmos andamento em uma discussão (que iniciamos) e mentimos para o chefe sobre uma morte na família para sermos dispensados do trabalho. Encarar a verdade é mais aterrorizante do que um filme de suspense.

Mas é preciso. É necessário compreender que se o mundo está do avesso, é porque também demos nossa contribuição para tal. Fosse fazendo algo ou deixando de fazer. Deixar de dar atenção a um filho o deixará triste. Ele expressará essa tristeza na escola, praticando bullying com um colega de sala. Esse colega se irritará e maltratará um cachorro, que morderá seu dono, que o sacrificará. Tudo é um ciclo. Aceitar seus monstros e respeitar os dos outros gera aceitação e uma possibilidade de reparar o mundo, tirando-o do lado avesso.


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