Colunas


Ideal Mente

Ideal Mente

CRP SC 19625 | Contato: (47) 99190.6989 | Instagram: @vanessatonnet

O luto que ninguém valida: quando não há funeral


O luto que ninguém valida: quando não há funeral
(foto: gerada por IA)

Quando falamos em luto, a maioria das pessoas pensa imediatamente na morte. Mas, na prática clínica, o luto aparece de muitas outras formas silenciosas, invisíveis e, muitas vezes, desautorizadas socialmente. São perdas que não têm velório, flores ou palavras prontas de consolo, mas que ainda assim doem profundamente.

Há luto pelo fim de um relacionamento, mesmo quando a decisão foi necessária. Há luto por um filho idealizado que não veio, por uma maternidade ou paternidade diferente da sonhada. Há luto pela saúde que mudou, pela carreira que não aconteceu, por uma versão de si mesmo que precisou ser deixada para trás para sobreviver. Essas perdas não costumam receber permissão para existir e é aí que o sofrimento se agrava.

Vivemos em uma cultura que valida apenas o luto “oficial”. Quando alguém morre, espera-se tristeza. Quando a perda não é concreta ou socialmente reconhecida, espera-se superação rápida. Frases como “isso passa”, “foi melhor assim” ou “você precisa seguir em frente” costumam silenciar dores que ainda estão vivas. O resultado é um luto vivido em solidão.

Na clínica, é comum encontrar pessoas que não conseguem nomear o que sentem, apenas sabem que algo foi perdido. Esse luto sem nome pode se manifestar como ansiedade, irritabilidade, tristeza ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Há luto pelo fim de um relacionamento, mesmo quando a decisão foi necessária. Há luto por um filho idealizado que não veio, por uma maternidade ou paternidade diferente da sonhada. Há luto pela saúde que mudou, pela carreira que não aconteceu, por uma versão de si mesmo que precisou ser deixada para trás para sobreviver. Essas perdas não costumam receber permissão para existir e é aí que o sofrimento se agrava.

Vivemos em uma cultura que valida apenas o luto “oficial”. Quando alguém morre, espera-se tristeza. Quando a perda não é concreta ou socialmente reconhecida, espera-se superação rápida. Frases como “isso passa”, “foi melhor assim” ou “você precisa seguir em frente” costumam silenciar dores que ainda estão vivas. O resultado é um luto vivido em solidão.

Na clínica, é comum encontrar pessoas que não conseguem nomear o que sentem, apenas sabem que algo foi perdido. Esse luto sem nome pode se manifestar como ansiedade, irritabilidade, tristeza persistente, sensação de vazio ou dificuldade de seguir adiante. Não porque a pessoa esteja fraca, mas porque está tentando elaborar uma perda sem ter tido autorização emocional para isso.

Elaborar o luto não é esquecer, apagar ou minimizar o que foi vivido. É integrar a perda à própria história, permitindo que a vida siga com um novo significado. Isso exige tempo, escuta e respeito ao ritmo interno, algo que não se impõe nem se acelera.

Talvez uma das formas mais maduras de cuidar da saúde mental seja reconhecer que nem toda dor precisa ser explicada para ser legítima. Algumas perdas não pedem respostas, pedem presença. Presença interna, acolhimento e, quando necessário, ajuda profissional.

Validar o próprio luto, mesmo aquele que ninguém vê, é um gesto profundo de autocuidado. Porque só aquilo que é reconhecido pode, de fato, ser elaborado. E só assim a vida encontra espaço para seguir, não apesar da perda, mas incluindo-a com dignidade na própria história.

E se existe algo que precisamos aprender enquanto sociedade é que o luto não diminui quando é ignorado, ele apenas se desloca. Quando acolhido, ele encontra linguagem, sentido e transformação. Quando negado, ele se infiltra no corpo, nas relações e na forma como vivemos. Reconhecer o luto que não teve funeral é também reconhecer nossa própria humanidade.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Agricultura familiar leva revés do Estado

JotaCê

Agricultura familiar leva revés do Estado

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Clique diário

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Coluna Esplanada

Mulheres no front

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Coluna Acontece SC

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Casório em Cabeçudas

Coluna do Ton

Casório em Cabeçudas




Blogs

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Blog do JC

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Quando o sentimento não usa máscara

VersoLuz

Quando o sentimento não usa máscara

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

A bordo do esporte

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

Uma entrevista interessante

Blog do Magru

Uma entrevista interessante

Você tem andado cansado e com fadiga?

Espaço Saúde

Você tem andado cansado e com fadiga?






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.