Colunas


Direito em movimento: esporte, jogos e entretenimento

Direito em movimento: esporte, jogos e entretenimento

Graduado e pós-graduado em Direito, Roberto Brasil Fernandes atuou pela ABLE perante o STF e representou as Loterias Estaduais no Congresso Nacional até 2019. É autor de diversos artigos e do livro “Direito das Loterias no Brasil”

Jogo sujo, risco real: bets ilegais pressionam o mercado e o Fisco observa o apostador


Jogo sujo, risco real: bets ilegais pressionam o mercado e o Fisco observa o apostador
(foto: Imagem gerada por IA)

O assunto ganhou tração a partir de postagem no site BNL Loteria (BNLData), assinada pelo jornalista Magno José, que repercutiu a reportagem originalmente publicada na Revista Veja – editoria de Economia/Veja Negócios, sob o título: “Jogo sujo: A explosão das bets ilegais ameaça o mercado regulado de apostas. Enquanto as bets reguladas gastam fortunas para cumprir regras rígidas, sites clandestinos transformam um mercado bilionário em terreno livre para o crime.” (Por Felipe Carneiro, 21/12/2025). O alerta é claro: regular “no papel” não basta quando o clandestino opera em escala e com vantagens ilícitas.

Desde 1º/01/2025, com a entrada em vigor do regime regulatório, os operadores autorizados passaram a conviver com uma agenda robusta de conformidade: outorga, garantias, requisitos patrimoniais, controles de integridade, mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, regras de publicidade responsável e instrumentos de proteção ao jogador. Esse é o custo inerente à segurança jurídica de um setor sensível, que movimenta recursos relevantes e impacta diretamente o consumidor.

Ocorre que o ecossistema clandestino opera com vantagem competitiva indevida: não recolhe tributos, não cumpre obrigações regulatórias, reduz fricções de cadastro e ignora controles mínimos — inclusive validações de idade e mecanismos de verificação. A consequência é uma concorrência assimétrica: enquanto o regulado investe em compliance, o ilegal investe em agressividade comercial e corrupção. E, quando a economia do ilícito cresce, cresce junto o risco de fraude, de abusos e de ausência de responsabilização.

Em termos práticos, a disputa se dá nos chamados “três Ps”: preço, produto e promoção. No “preço”, o clandestino seduz com promessas de retorno superior; no “produto”, flexibiliza o que ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

Desde 1º/01/2025, com a entrada em vigor do regime regulatório, os operadores autorizados passaram a conviver com uma agenda robusta de conformidade: outorga, garantias, requisitos patrimoniais, controles de integridade, mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, regras de publicidade responsável e instrumentos de proteção ao jogador. Esse é o custo inerente à segurança jurídica de um setor sensível, que movimenta recursos relevantes e impacta diretamente o consumidor.

Ocorre que o ecossistema clandestino opera com vantagem competitiva indevida: não recolhe tributos, não cumpre obrigações regulatórias, reduz fricções de cadastro e ignora controles mínimos — inclusive validações de idade e mecanismos de verificação. A consequência é uma concorrência assimétrica: enquanto o regulado investe em compliance, o ilegal investe em agressividade comercial e corrupção. E, quando a economia do ilícito cresce, cresce junto o risco de fraude, de abusos e de ausência de responsabilização.

Em termos práticos, a disputa se dá nos chamados “três Ps”: preço, produto e promoção. No “preço”, o clandestino seduz com promessas de retorno superior; no “produto”, flexibiliza o que a regulação restringe; e, na “promoção”, ocupa o ambiente digital com publicidade volumosa — inclusive em canais criptografados —, criando um funil de atração que expõe o público a práticas predatórias e torna mais difícil, para o apostador comum, distinguir o legal do ilegal.

Por isso, o enfrentamento não pode ser meramente reativo. Derrubar sites é necessário, mas não suficiente. O combate eficiente exige ação coordenada e multivetorial: bloqueio de meios de pagamento, restrição de canais de comunicação e marketing, rastreio e responsabilização de fornecedores, além de inteligência para mapear rapidamente as mudanças de rota dos operadores clandestinos. Em linguagem de governança, é preciso estrangular a cadeia econômica do ilícito — e não apenas remover sua vitrine digital.

E há um ponto adicional que costuma ficar fora do debate, mas é decisivo nesta virada de ano: o apostador também entrou no radar fiscal. Em 18/12/2025, a Receita Federal editou a Instrução Normativa RFB nº 2299, ajustando a IN nº 1500/2014 para disciplinar a tributação de pessoas físicas sobre prêmios líquidos em apostas de quota fixa e fantasy sport, à luz da Lei nº 14.790/2023.

Na prática, o contribuinte deverá apurar, ao fim do ano-calendário, o resultado líquido anual: somar ganhos e abater perdas, por categoria (eventos esportivos reais, eventos virtuais/jogos on-line e fantasy sport), considerando todas as operadoras utilizadas. A tributação incide sobre o somatório dos resultados positivos por categoria, com alíquota de 15% aplicada sobre o que exceder a primeira faixa da tabela do IRPF. O cálculo é feito em março, e o recolhimento ocorre até o último dia útil de abril. A norma ainda prevê o ComprovaBet, documento eletrônico que deve ser disponibilizado pelo operador até o último dia útil de fevereiro, com identificação das partes, discriminação de ganhos e perdas e saldos em 31/12. Saldos mantidos em plataformas devem constar na ficha Bens e Direitos da declaração.

Em síntese: a postagem do BNL Loteria, assinada por Magno José, ao repercutir a reportagem de Veja Economia/Veja Negócios, reforça dois vetores do mesmo problema: (i) sem enforcement inteligente, o clandestino corrói o mercado regulado; (ii) e, do lado do apostador, quem teve lucro precisa tratar o tema com método, documentação e regularidade fiscal. Segurança jurídica, aqui, não é retórica: é conformidade, rastreabilidade e responsabilização.

 


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Agricultura familiar leva revés do Estado

JotaCê

Agricultura familiar leva revés do Estado

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Clique diário

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Coluna Esplanada

Mulheres no front

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Coluna Acontece SC

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Casório em Cabeçudas

Coluna do Ton

Casório em Cabeçudas




Blogs

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Blog do JC

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Quando o sentimento não usa máscara

VersoLuz

Quando o sentimento não usa máscara

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

A bordo do esporte

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

Uma entrevista interessante

Blog do Magru

Uma entrevista interessante

Você tem andado cansado e com fadiga?

Espaço Saúde

Você tem andado cansado e com fadiga?






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.