Colunas


Aposentadoria compulsória: quando a corrupção no judiciário vira prêmio


Aposentadoria compulsória: quando a corrupção no judiciário vira prêmio
(Imagem gerada por IA)

No Brasil, magistrados flagrados cometendo crimes graves no exercício da função, como a venda de sentenças, raramente enfrentam as consequências que se esperaria em um Estado Democrático de Direito. Em vez de prisão, perda total de direitos e responsabilização penal exemplar, muitos recebem a chamada aposentadoria compulsória — uma sanção administrativa que, na prática, funciona como recompensa.

A medida prevê o afastamento definitivo do cargo, mas mantém os vencimentos integrais do magistrado. Assim, juízes e desembargadores acusados ou condenados por condutas que corroem a credibilidade do sistema judicial seguem recebendo altos salários pagos com recursos públicos. Enquanto isso, cidadãos comuns que cometem crimes semelhantes enfrentam processos penais rigorosos, prisão e a destruição de sua vida financeira.

A disparidade de tratamento evidencia um problema estrutural: o corporativismo no Judiciário. A toga, que deveria representar imparcialidade e compromisso com a legalidade, acaba funcionando como um escudo de proteção contra punições mais severas. A aposentadoria compulsória, apresentada oficialmente como “pena máxima” administrativa, está longe de cumprir função pedagógica ou reparadora. Pelo contrário, reforça a sensação de impunidade e de existência de castas acima da lei.

O impacto desse modelo vai além da indignação moral. A confiança da sociedade no Judiciário depende da percepção de que todos são iguais perante a lei — inclusive aqueles responsáveis ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

A medida prevê o afastamento definitivo do cargo, mas mantém os vencimentos integrais do magistrado. Assim, juízes e desembargadores acusados ou condenados por condutas que corroem a credibilidade do sistema judicial seguem recebendo altos salários pagos com recursos públicos. Enquanto isso, cidadãos comuns que cometem crimes semelhantes enfrentam processos penais rigorosos, prisão e a destruição de sua vida financeira.

A disparidade de tratamento evidencia um problema estrutural: o corporativismo no Judiciário. A toga, que deveria representar imparcialidade e compromisso com a legalidade, acaba funcionando como um escudo de proteção contra punições mais severas. A aposentadoria compulsória, apresentada oficialmente como “pena máxima” administrativa, está longe de cumprir função pedagógica ou reparadora. Pelo contrário, reforça a sensação de impunidade e de existência de castas acima da lei.

O impacto desse modelo vai além da indignação moral. A confiança da sociedade no Judiciário depende da percepção de que todos são iguais perante a lei — inclusive aqueles responsáveis por aplicá-la. Quando magistrados corruptos não sofrem sanções proporcionais à gravidade de seus atos, a legitimidade das decisões judiciais é colocada em xeque.

Outro ponto sensível é o custo social dessa prática. Os salários e benefícios pagos a magistrados aposentados compulsoriamente saem dos cofres públicos, abastecidos pelos impostos de uma população que enfrenta serviços precários, desigualdade e um sistema judicial muitas vezes lento e inacessível. Para o contribuinte, a mensagem é clara e desalentadora: quem trai a confiança pública no topo do poder segue protegido, enquanto a base sustenta o sistema.

Especialistas em direito e transparência defendem que crimes cometidos por magistrados no exercício da função devem resultar não apenas em sanções administrativas, mas também em responsabilização penal efetiva, com perda total do cargo e dos benefícios. Sem isso, a aposentadoria compulsória continuará sendo vista não como punição, mas como privilégio institucionalizado.

Rever esse mecanismo é essencial para fortalecer a democracia brasileira. Um Judiciário que exige rigor da sociedade precisa, antes de tudo, aplicá-lo a si mesmo. Caso contrário, a Justiça corre o risco de perder seu valor simbólico e se tornar, aos olhos do cidadão, apenas mais um espaço onde a lei não alcança os mais poderosos.

Jornalista Emerson Ghislandi


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Agricultura familiar leva revés do Estado

JotaCê

Agricultura familiar leva revés do Estado

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Clique diário

Onde a Cidade Aprende a Torcer

Coluna Esplanada

Mulheres no front

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Coluna Acontece SC

CPI dos Cartórios depende de assinaturas na Alesc

Casório em Cabeçudas

Coluna do Ton

Casório em Cabeçudas




Blogs

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Blog do JC

Pavan, fica fulo e diz que não é prefeito de patacas!

Quando o sentimento não usa máscara

VersoLuz

Quando o sentimento não usa máscara

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

A bordo do esporte

Tour de France no Brasil ganha nova patrocinadora de bicicletas

Uma entrevista interessante

Blog do Magru

Uma entrevista interessante

Você tem andado cansado e com fadiga?

Espaço Saúde

Você tem andado cansado e com fadiga?






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.