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Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

Da ameaça ao recuo: o custo global da guerra de Trump


O envolvimento dos Estados Unidos em mais um conflito no Oriente Médio, desta vez contra o Irã, revela não apenas uma escalada militar perigosa, mas também uma sucessão de erros estratégicos, perdas econômicas e desgaste político de proporções globais.

Esta guerra entre Estados Unidos e Irã escancarou algo que já vinha sendo ignorado por parte do mundo: o perigo real de se ter Donald Trump como uma das principais lideranças políticas globais. Mais do que um conflito geopolítico, o episódio revela o quanto decisões impulsivas, discursos inflamados e desprezo pela diplomacia podem colocar o planeta inteiro em risco.

Os Estados Unidos foram arrastados para a guerra sob alegações frágeis — amplamente contestadas — de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares. Sem provas concretas, optou-se pelo caminho mais extremo: ataques diretos que eliminaram o líder supremo iraniano e membros estratégicos do governo. A aposta era clara: provocar o colapso do regime. O cálculo, no entanto, mostrou-se equivocado.

Longe de colapsar, o Irã reorganizou rapidamente sua estrutura de poder, nomeando um novo líder — filho do anterior — e intensificando sua resposta militar. O país passou a atacar bases ...

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Esta guerra entre Estados Unidos e Irã escancarou algo que já vinha sendo ignorado por parte do mundo: o perigo real de se ter Donald Trump como uma das principais lideranças políticas globais. Mais do que um conflito geopolítico, o episódio revela o quanto decisões impulsivas, discursos inflamados e desprezo pela diplomacia podem colocar o planeta inteiro em risco.

Os Estados Unidos foram arrastados para a guerra sob alegações frágeis — amplamente contestadas — de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares. Sem provas concretas, optou-se pelo caminho mais extremo: ataques diretos que eliminaram o líder supremo iraniano e membros estratégicos do governo. A aposta era clara: provocar o colapso do regime. O cálculo, no entanto, mostrou-se equivocado.

Longe de colapsar, o Irã reorganizou rapidamente sua estrutura de poder, nomeando um novo líder — filho do anterior — e intensificando sua resposta militar. O país passou a atacar bases americanas no Oriente Médio e tomou uma das medidas mais impactantes do conflito: o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula grande parte do petróleo mundial.

Daí começou o efeito dominó da economia global. O bloqueio da principal rota de petróleo do planeta fez o preço do barril disparar. Combustíveis encareceram, cadeias produtivas foram pressionadas e a inflação global ganhou novo fôlego. Países inteiros viram seus custos explodirem, enquanto mercados financeiros reagiam com instabilidade e retração.

Os próprios Estados Unidos não escaparam: gastos militares bilionários, pressão inflacionária e perda de confiança econômica passaram a compor um cenário interno cada vez mais delicado. A guerra, vendida como demonstração de força, tornou-se um peso econômico.

Na tentativa de ampliar sua ofensiva, o presidente Donald Trump convocou países europeus a participarem do conflito, especialmente com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz. A resposta foi fria: embora tenham oferecido apoio logístico, os aliados deixaram claro que não enviariam tropas, alegando não terem sido consultados previamente nem provocados.

O episódio evidenciou um isolamento diplomático crescente dos Estados Unidos e uma ruptura no tradicional alinhamento com potências europeias. A mensagem foi clara: nem mesmo parceiros históricos estavam dispostos a seguir uma liderança errática e unilateral. Esse isolamento revelou um enfraquecimento inédito da influência americana no cenário internacional.

Se há algo que marcou a condução de Trump neste conflito foi a distância entre o discurso e a realidade. O presidente prometeu destruição total, vitória rápida e submissão iraniana. Nada disso se concretizou.

Ao longo da guerra, foram ao menos três recuos claros:

Primeiro recuo: a promessa de derrubar o regime iraniano rapidamente ruiu diante da reação militar intensa do Irã.

Segundo recuo: após o fracasso em mobilizar aliados, reduziu sua ambição e passou a operar praticamente isolado.

Terceiro recuo (e mais grave): depois de ameaçar “acabar com uma civilização”, voltou atrás e aceitou um cessar-fogo temporário — apresentado como vitória, mas descrito pelo Irã como um pedido dos próprios Estados Unidos.

A repetição desse padrão — ameaçar, escalar o discurso e recuar mina qualquer credibilidade. No cenário internacional, isso não é apenas fraqueza: é perigoso.

Internamente, Trump passou a enfrentar crescente pressão. A população americana, inclusive parte de sua base, começou a questionar uma guerra cara, longa e sem resultados. No cenário internacional, tentativas de mediação falharam, e o Conselho de Segurança da ONU ficou paralisado diante de vetos de Rússia e China.

Enquanto os ataques continuavam de ambos os lados — com perdas militares e civis — o Irã demonstrava capacidade de resistência e contra-ataque, inclusive abatendo aeronaves americanas e atingindo alvos em Israel. A presença ativa da Guarda Revolucionária, com forte poder bélico, reforçou ainda mais a posição iraniana.

O problema, no entanto, não se limita aos Estados Unidos. Trump se consolidou como uma referência global da extrema direita, influenciando líderes e movimentos em diversos países. Seu estilo — baseado em confronto, desinformação, personalismo e desprezo por instituições — tem sido replicado por políticos que se alimentam de polarização e de uma base de seguidores altamente engajada, muitas vezes movida mais por crença do que por fatos.

Esse fenômeno cria um efeito cascata: decisões irresponsáveis deixam de ser exceção e passam a ser método. Quando líderes com esse perfil assumem posições de poder, o risco deixa de ser apenas político e passa a ser civilizatório.

O saldo conclusivo é inequívoco: os Estados Unidos saem enfraquecidos — financeiramente, politicamente e diplomaticamente. Perdem influência, perdem credibilidade e acumulam prejuízos. O Irã, por sua vez, apesar das perdas iniciais, emerge mais coeso e estrategicamente fortalecido.

Mas, no fim, não há vencedores claros.

O que existe é uma economia global pressionada, populações pagando mais caro por produtos básicos e um cenário internacional cada vez mais instável.

Mas o ponto mais preocupante não está apenas no resultado da guerra. Está no fato de que decisões desse porte continuam sendo tomadas sob liderança de alguém que já demonstrou, repetidas vezes, disposição para tensionar limites perigosos — e depois recuar sem assumir consequências.

O mundo não pode depender da imprevisibilidade de líderes que tratam conflitos internacionais como palco político. Porque, quando isso acontece, não há vitória possível — apenas danos, instabilidade e um risco crescente de que o próximo erro seja irreversível.

Para o Brasil, os efeitos são claros. A alta do petróleo impacta diretamente o preço dos combustíveis, encarece o frete e pressiona toda a cadeia produtiva. O transporte fica mais caro, os alimentos aumentam, o custo de serviços cresce. Pequenos empresários sentem no caixa, trabalhadores perdem poder de compra e a inflação volta a preocupar. Ou seja, uma guerra do outro lado do mundo rapidamente chega ao dia a dia da população brasileira.

O conflito entre Estados Unidos e Irã pode parecer distante da realidade de cidades como Itajaí e Balneário Camboriú. Mas a verdade é que decisões tomadas por líderes globais, como Donald Trump, têm impacto direto no bolso e na vida de milhões de pessoas — inclusive aqui.

Em regiões como o litoral catarinense, onde o turismo e o comércio dependem fortemente de circulação e consumo, o impacto é ainda mais sensível.

Menos dinheiro no bolso significa menos consumo. E menos consumo afeta empregos, negócios e a economia local.

Outro ponto que merece atenção é o alcance político de Trump. Ele se consolidou como uma referência para setores da extrema direita ao redor do mundo, influenciando lideranças que adotam o mesmo estilo: confronto constante, discurso radical e desprezo por soluções diplomáticas. Podemos perceber até mesmo na região políticos que defenderam arduamente a chegada de Trump ao poder, exaltando a bandeira dos EUA e Israel, sem medir as consequências econômicas e humanitárias.

Esse tipo de liderança, quando replicado, amplia riscos. Não apenas de conflitos internacionais, mas também de instabilidade interna em diversos países, inclusive no Brasil.

Até quando o mundo — e o Brasil — continuará permitindo que líderes irresponsáveis cheguem ao poder com a capacidade de abalar a economia global e decidir, de forma temerária, sobre a vida ou a morte de milhares? Essa não é uma pergunta retórica: é um alerta direto ao eleitor brasileiro.

A escolha que se aproxima não é trivial nem meramente ideológica. Trata-se de definir se o país será conduzido por um estadista comprometido com o diálogo, com a paz e com o respeito à soberania das nações, ou por alguém subserviente a projetos de poder estrangeiros, alinhado a figuras como Donald Trump.

Não se trata de exagero, mas de responsabilidade histórica. A submissão a interesses externos, especialmente quando guiados por extremismos, pode colocar o Brasil em rota de colisão com sua própria soberania, abrindo espaço para pressões econômicas, exploração de recursos naturais e perda de autonomia política.

O eleitor brasileiro precisa compreender: voto não é protesto vazio, nem ato impulsivo. É decisão estratégica sobre o futuro do país. Escolher mal pode significar entregar o destino nacional a influências que não respeitam nossas prioridades, nossa independência e, sobretudo, nosso povo.

O Brasil não pode ser governado sob a sombra de interesses alheios. A responsabilidade está, mais uma vez, nas mãos de quem decide nas urnas.


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