Erotismo
Morre aos 71 anos o cineasta pornô Sady Baby
Polêmico cineasta morreu vítima de um acidente de carro
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Um chocante capítulo da história da pornografia em Balneário Camboriú – e até mesmo no Brasil – terminou no último dia 26 de dezembro, com a morte de um dos mais emblemáticos e polêmicos cineastas do gênero: Sady Baby, falecido aos 71 anos, em Indaial, em decorrência de complicações de um grave acidente de trânsito sofrido em 28 de novembro na BR 470, em Rodeio, no vale do Itajaí.
O lendário diretor de filmes pornôs – com uma filmografia superior a 30 produções do gênero, iniciada na Boca do Lixo, em São Paulo, nos anos 1980 – marcou época em BC entre 1990 e 2000, quando trouxe para a cidade o teatro erótico “Soltando a Franga”, estabelecendo uma caravana de atrizes e atores pornôs para espetáculos.
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A notícia da morte pegou de surpresa amigas como a dançarina e atriz pornô Samirra Summer. Descoberta por Sady em 2004, em Balneário Camboriú, ela confessou ao DIARINHO que, num primeiro momento, não acreditou no falecimento do cineasta – já que ele havia simulado a própria morte anteriormente.
“Eu o conheci no início da minha carreira, quando fiquei encantada com a noite. Um casal de atores me apresentou ao Sady e ele me lançou. Fiquei no ‘Soltando a Franga’ por três anos”, detalhou.
Samirra disse estar “abalada” com a notícia. “Tenho um carinho enorme por ele, muita gratidão. Ele estava afastado da produção de filmes e shows de sexo explícito; passou por uma facada, foi hospitalizado e se recuperou”, pontuou a atriz.
Seis mil mulheres
A trajetória de Sady, entretanto, foi muito além do teatro erótico de Balneário Camboriú. Natural de Itatiba do Sul (RS), ele foi jogador de futebol no Paraná nos anos 1970, chegando a atuar como lateral-direito no Coritiba.
No início dos anos 1980, integrou o elenco do recém-fundado SBT, onde participou do programa do Bozo. Com Zilda Mayo, atriz célebre das pornochanchadas, deu início à carreira no mercado erótico, em 1982. Foram ao menos 19 filmes para o cinema, numa época em que o público ainda frequentava salas de exibição para acompanhar produções do gênero.
Com o fim desse circuito, Sady comprou um ônibus, reuniu atrizes e atores e percorreu o Brasil com shows de sexo explícito – origem da franquia “Ônibus da suruba”, volumes 1 e 2.
O cineasta também se gabava de ter mantido relações sexuais com “pelo menos seis mil mulheres”. Alegava ter entre 30 e 35 filhos, fruto de relações com diferentes companheiras, o que lhe rendeu algumas prisões por falta de pagamento de pensão alimentícia. Sua produção cinematográfica era considerada diferenciada, pois fazia questão de roteirizar os filmes — sempre com histórias na trama e não apenas cenas sexuais.
Desse ímpeto criativo surgiram títulos como “Troca de óleo” (1985), “Caiu de boca” (1985), “No calor do buraco” (1986), “Ônibus da suruba” (1990 e 1991) e “Tesão dos crentes” (2001). Até mesmo a criminosa e repulsiva zoofilia foi abordada em produções como “O jeito é o jegue” (1986). Inspirado em Balneário Camboriú, surgiu o “Soltando a franga”, em 1988.
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Em 2008, o cineasta passou a ser procurado pela polícia por envolvimento com menores em suas produções — teria, inclusive, transformado uma filha em atriz. Foi capturado pela Polícia Federal e solto após depoimentos. A partir daí, surgiu a ideia de forjar o próprio suicídio, fazendo circular a notícia de que teria se jogado no Rio Uruguai, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Por esse histórico, Samirra duvidou inicialmente da notícia de sua morte, divulgada em 26 de dezembro.
Em 2013, Sady acabou preso por passar cheques sem fundo e usar documentos falsos em Santa Catarina. Desde então, vivia anonimamente em Ascurra. A atual companheira, Ingrid Becker, confirmou a morte, segundo informou o portal UOL.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
