SAÚDE PÚBLICA
Itajaí amplia tratamento contra a “doença do gato”
Gatos de famílias de baixa renda terão medicação e acompanhamento
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
A Prefeitura de Itajaí começou a oferecer medicação gratuita para gatos diagnosticados com esporotricose, doença causada por fungo que pode ser transmitida a humanos. A medida faz parte de um plano de ação estruturado pela Vigilância Epidemiológica em parceria com o Instituto Itajaí Sustentável (Inis) e acontece após aumento expressivo no número de casos no município.
O plano amplia o atendimento domiciliar para tutores de baixa renda, reforça a coleta de exames e intensifica o monitoramento epidemiológico. Além do tratamento gratuito, os tutores recebem equipamentos de proteção individual, como luvas, para garantir segurança no manejo dos animais.
Continua depois da publicidade
Nos casos de animais sem tutor e com diagnóstico confirmado, o Inis faz o recolhimento e encaminha para isolamento e tratamento na Unidade de Acolhimento Provisório de Animais, que passa por ampliação para aumentar a capacidade de atendimento.
A Vigilância Epidemiológica também reforçou a rede de diagnóstico, com entrega de kits de coleta e caixas térmicas a clínicas veterinárias. As amostras são encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública, em Florianópolis, e os casos positivos são acompanhados até o desfecho, com visitas técnicas e orientações às famílias.
Paralelamente, o município intensificou ações educativas em postos, clínicas veterinárias, escolas e comunidade, além da organização de fichas, planilhas e mapas para monitoramento dos registros da doença.
Explosão de casos
A iniciativa surge diante do crescimento acelerado da esporotricose em Itajaí. Os dados mostram uma escalada ano após ano.
Em 2022, foram 19 gatos confirmados com a doença. Em 2024, o número saltou para 119 casos — aumento superior a 500% em dois anos.
O avanço continuou em 2025. Até maio, o município já somava 86 gatos positivos. Ao final do ano, o total chegou a 328 confirmações — quase três vezes mais que todo o ano anterior.
A taxa de exames positivos também chama a atenção. Em 2025, foram 434 notificações em animais, com 328 confirmações, o que representa taxa de positividade de 75%.
Continua depois da publicidade
No acumulado entre 2022 e maio de 2025, Itajaí registrou 515 suspeitas em gatos, com 322 confirmações — índice de 62%.
Casos também atingem humanos
A esporotricose não atinge apenas os animais. Em 2025, Itajaí registrou 119 notificações em humanos e figurava entre os municípios com maior número de casos em Santa Catarina. Desses, 26 foram confirmados e 53 classificados como prováveis. Outros 38 foram descartados e dois eram de pacientes de outras cidades.
Entre 2022 e maio de 2025, o município contabilizou 177 suspeitas em pessoas, com 73 confirmações ao longo desse período.
Continua depois da publicidade
O que é a esporotricose
A esporotricose é uma doença fúngica de origem ambiental. O fungo vive no solo e em matéria orgânica. No passado, era conhecida como “doença do jardineiro”, porque muitos casos estavam ligados ao contato com terra contaminada.
Os gatos são os mais suscetíveis à infecção. Além de poderem transmitir a doença, também acabam sendo as maiores vítimas. Sem tratamento, o fungo pode se espalhar pelo corpo, causar feridas graves e levar a complicações que podem resultar na morte do animal.
O principal sinal de alerta são feridas que não cicatrizam. As lesões podem aumentar de tamanho, apresentar secreção e se espalhar pelo corpo, explica a médica-veterinária da Vigilância Epidemiológica, Andréia Díaz de Porto.
Continua depois da publicidade
Tire suas dúvidas
A transmissão acontece pelo contato com o fungo no ambiente ou por arranhões e mordidas de animais infectados. Em humanos, também pode acontecer pelo contato direto com lesões contaminadas.
Apesar do avanço dos casos, especialistas reforçam que não há motivo para pânico. A doença tem tratamento e cura quando diagnosticada precocemente e acompanhada por médico-veterinário.
A orientação é que, ao identificar qualquer lesão suspeita, o tutor procure atendimento veterinário. Em caso de dúvida, o município disponibiliza atendimento pelo WhatsApp (47) 99118-8389.
Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
