A ferramenta reúne dados oficiais e de investigações para mostrar onde, como, quando e em que situações os feminicídios acontecem, revelando padrões, dinâmicas e fatores de risco. O estudo ainda analisa o perfil das vítimas e dos agressores, os vínculos entre eles, a existência de violência prévia, o uso de medidas protetivas e as circunstâncias dos crimes.
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O painel apresenta quatro histórias de vítimas em casos marcantes de feminicídios no estado. Entre eles o de Catarina Kasten, de 31 anos, assassinada em 21 de novembro de 2025, entre as praias do Matadeiro e da Armação, em Florianópolis. A produção faz parte da websérie “Ausências”, que documenta também os casos de Ana Kémilli Taques Krindges, de Campo Belo do Sul; Mônica Uhlmann, de Chapecó; e Eveline Schmitz, de Blumenau.
O mapa comprova que os casos estão espalhados pelo estado e mostra as regiões com maior incidência. Segundo o MP, a ferramenta contribui para a compreensão da violência de gênero no estado e orienta a atuação institucional, a prevenção e o fortalecimento de políticas públicas contra um problema que é estrutural e persistente.
O projeto foi lançado na semana passada, durante a assinatura do pacto para enfrentamento ao feminicídio entre o MPSC, Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), Tribunal de Contas (TCE), governo estadual e Assembleia Legislativa (Alesc). O acordo prevê atuação conjunta, com base nos dados do mapa, pra planejar, executar e avaliar ações de proteção às mulheres.
Entre as metas estão medidas pra reduzir índices de crimes, fortalecer o acolhimento das vítimas e a responsabilização dos agressores.
Quase 600 mortes de mulheres em cinco anos
No período analisado, o estado registrou 596 mortes violentas de mulheres. Em 396 dos casos, a motivação foi a violência de gênero, ocorridas principalmente em contextos íntimos (71%), mas também ligada à violência sexual e a relações marcadas pelo controle e pela dominação dos agressores.
Na prática, a cada três mulheres assassinadas em Santa Catarina, duas foram mortas apenas por serem mulheres. Os dados revelam que feminicídio não é um evento isolado, mas um problema estrutural e contínuo. O mapa também mostra a interiorização da violência, com o feminicídio não restrito só às grandes cidades.
“Embora os maiores municípios concentrem mais registros, municípios menores podem apresentar taxas proporcionais mais altas, fazendo com que poucos casos representem um risco maior para as mulheres nesses territórios”, explica o MP.
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Segundo o painel, Santa Catarina tem taxa média de 1,7 feminicídio por 100 mil mulheres. Nas regiões de Caçador, Lages, Criciúma e Chapecó, a média passa de dois, chegando a 2,76 casos no meio oeste. A maioria das vítimas (69%) já enfrentava um histórico de violência e 73% delas não tinham medidas protetivas.
Na região de Itajaí, a taxa de vítimas é de 1,5, com 36 casos no período do estudo. Itajaí liderou os registros com 10 feminicídios. A lista é seguida por Camboriú (6), Itapema (5), Balneário Camboriú (4), Navegantes (3), Barra Velha (3), Tijucas (3), Luiz Alves (1) e Bombinhas (1).
Os dados ainda não contabilizam crimes ocorridos em 2025 e 2026. No ano passado, o estado registrou 52 feminicídios. Neste ano, até fevereiro, já foram oito casos, segundo boletim da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
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