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Notas da conjuntura


Inimigo na trincheira

É um esforço inútil querer descobrir na internet se a Petrobras era melhor com FHC ou agora. Há uma profusão de números, complexos e contraditórios, que ao invés de esclarecer, escondem a verdade, se é que ela existe assim, íntegra e definitiva. Há um fogo cruzado de argumentos desferidos de ambos os lados do debate; leia-se a militância política e ideológica, que, ao final, você sairá tonto da pesquisa.

Mas uma coisa é certa: nunca a estatal esteve com a imagem tão deteriorada. Nunca perdeu tanto valor patrimonial ou foi tão abalada por escândalos e malfeitorias. Em meio ao inferno astral, os que tiverem estômago que a defendam com unhas e dentes. Mas em nome do decoro, não culpem a imprensa, as oposições, os neoliberais e os privatistas. Os inimigos da Petrobras estão na própria trincheira.

Cada brasileiro tem 1,5 telefone

Às vésperas de uma nova campanha presidencial, certamente cairá na prova, de novo, o tema das privatizações. No caso da telefonia, as críticas que ainda persistem só podem vir de quem considera a estatização um dogma religioso. No ano anterior à privatização (1998), existiam 24,5 milhões de telefones no Brasil. Hoje em dia, são perto de 250 milhões. Há mais telefones do que população. É 1,5 telefone para cada brasileiro.

Ah, mas é caro. Certamente: é dos mais caros serviços de telefonia do mundo. É, também, sobre a telefonia que incidem os maiores impostos do planeta: 43%. Isto é, se você gasta R$ 100 de telefonemas e serviços no seu aparelho, você comparece ao guichê do Estado brasileiro com mais R$ 43 de impostos.

Dizem – e é verdade – que os usuários estão mal servidos, que os serviços são ruins. As operadoras não fazem a sua parte, deitam e rolam. O governo, por sua vez, se omite, cumpre mal e preguiçosamente os seus deveres legais de fiscalizar, cobrar melhorias, exigir qualidade nos serviços. Os defensores da estatização querem o Estado forte. O Estado, que cuida da telefonia brasileira, por vez ou outra solta um urro de tigre, mas em geral mia como um gatinho para as operadoras.

Números da Vale

Tempos atrás, sustentei de um amigável debate com um deputado do PT, desses que não se metem em rolo, a respeito da privatização da Vale. Perguntei-lhe se tinha os comparativos da Vale antes e depois de privatizada: número de funcionários, valor de mercado, impostos pagos. O meu dileto amigo não sabia nem estava interessado em saber. Privatização, não, como convém a um bom petista.

Pois bem, aqui vão alguns números. No ano da privatização, 1997, a Vale tinha 11 mil empregados. Hoje tem mais de 85 mil. A empresa privatizada pagou aos cofres da União, a título de dividendos, impostos e royalties, por baixo, cerca de 16 bilhões de dólares a mais do que a Vale, durante os seus 54 anos de existência como estatal. A Vale estatal era a 20ª produtora de minério de ferro do mundo. Hoje é a primeira. Em termos de mercado – conta feita com moderação – dá para dizer, com certeza, que a Vale privatizada, em 17 anos, multiplicou o seu valor por 12.


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