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Lição (sem procurar culpados) da tragédia de Santa Maria


O número não me sai da cabeça. E, por incrível que pareça, os algarismos que teimam em me atormentar madrugada adentro não são os do triste saldo da tragédia do último domingo, em Santa Maria/RS – enquanto escrevo isto já passava de 230 mortes confirmadas. Mas continuo pensando no 104.

“Um bombeiro apanhou um daqueles telefones que tremiam no chão. O aparelho registrava 104 chamadas. Na tela: MÃE”.

Enquanto ouvia análises e argumentações de pessoas sedentas por encontrar culpados, não consegui pensar em outra coisa. Até me sentia anormal por, ao invés de imaginar o sofrimento que passou a jovem dona do tal celular, só pensava na mãe. Que desespero não estaria sentindo para chegar ao ponto de ultrapassar a marca de 100 telefonemas e não desistir?! 104 chamadas de esperança. E nada de resposta da filha. Certamente, esta mãe deve ter suplicado ‘– Minha Santa Maria, que ela atenda o telefone agora!’.

Mas nem mesmo a intercessão da mãe de Jesus poderia, naquele momento, fazer com que um ‘alô, mãe. Eu estou bem!’ saísse dos minúsculos poros do celular que permanecia pressionado aos ouvidos daquela mãe aflita. E a cada toque a mais, esperança a menos... E a cada minuto a menos, desespero a mais.

Poderia ser a mãe de qualquer um!

Li um monte de textos – lindos – do tipo “eu também morri em Santa Maria”, com argumentos que comparavam os jovens que estavam lá com qualquer jovem... Comigo também. E é verdade. Poderia ter sido você, seu amigo ou eu a engolir aquela maldita fumaça, a perder a noção do tempo, do espaço... A perder a vida! Mas ainda continuo (anormal que sou) pensando na mãe. Sim, poderia ser qualquer mãe a estar do outro lado da linha suplicando por um milagre a cada uma daquelas 104 ligações.


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