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Sustentação


Lendo o livro “Corrupção de Sarney a Lula”, de Eduardo Graeff, me defrontei com a falta de consciência política que ainda falta no país. As principais denúncias contra políticos dentro do governo vêm atrás da mídia e o desgaste do mesmo se dá entre revistas, jornais, televisão e hoje internet. A culpa é do eleitorado? Ou o sistema está tão bem articulado que o povo não consegue se manifestar? Como diria Lipset, a economia fundamenta a economia. Ou seja, enquanto a nossa economia correr dentro do patamar aceitável, qualquer governo será aprovado. E por falar em economia, essa é a única carta nas mangas dos oposicionistas, que só têm a crise mundial como uma chance de chegar no governo. Começo a ter medo desse pessoal, pois, se agora não sabem ser oposição, amanhã saberão ser governo?

A corrupção está impregnada no sistema político contemporâneo do Brasil. Contudo, não começou com a volta da democracia. Antes a luta contra a corrupção se dava na compra de votos. Que ficou banalizada. O eleitorado até vende seu voto, ou ainda, aceita as diversas ofertas de variados candidatos e acaba votando sempre no mesmo. Dessa forma, a corrupção deu um pulo do período eleitoral para o administrativo. Sei que a compra de voto ainda existe. Infelizmente. Essas coisas deveriam acabar. Como sei que o desvio de verbas ainda existe. Eduardo Graeff apresenta em seu livro de forma concisa o desencadeamento político e de corrupção dentro do governo nos últimos anos – a palavra governo aqui expressa todos os presidentes após o regime militar.

Embora que o tempo todo o presidente Lula ficou rodeado com denúncia de seu pessoal. Justo Lula, que pagava bilhões em propagandas à mídia (revista e jornais)! Continuaram mesmo assim apresentando a corrupção formada de seus aliados. Lembro-me de quando ia no cinema, e até antes de começar o filme existia aquelas propagandas de bajulação do governo. É bem provável que em algum lugar do país ainda exista a uma propagandinha antes de um filme. A prestação de contas foi transformada em propaganda eleitoral. A atual presidente, ao menos nesse primeiro ano, ela não vem se importando de estar num caderno de notícias falando verbetes. Talvez porque, antes que os repórteres cheguem nela, o partido corrupcionado organizou a troca de seis por meia dúzia e nem precisa dar continuidade às denúncias.

Depreendo que vivemos a situação política de sustentação. Enquanto for sustentável de manter o indivíduo/político no poder, seja ele ministérios ou congresso, a política vai encobertando a corrupção. Não adianta sair com vassoura nas mãos e querer mostrar que estamos atentos. A vassoura serve como sirene – sirene para simbolizar que foi tocado o alerta e é hora da troca de seis por meia dúzia – para o contexto e não como pedido de moralidade e ética na política. Assim como não adianta criar um novo partido. Partido este que abraça o céu e o inferno ao mesmo tempo. O que precisamos é a acabar com essa cultura de sustentação. Não precisamos de ficha limpa. Precisamos sim é de honestidade diante das urnas. Precisamos de coragem no dia da eleição para mudar, nem que seja votando em nulo para que novos atores sejam candidatos.

* O autor é graduado em Filosofia pela UNIFEBE/Brusque e Mestrando em Ciências Políticas-UFSCar/São Carlos-SP


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