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Ilusões na Aldeia


Viver em situações ilusórias parece ser uma das obsessões da humanidade ocidental. Queremos, às vezes, acreditar que certos fatos, acontecimentos e lugares são reais mesmo que saibamos não ser exatamente assim. Calma, eu explico melhor, leitor. Shoppings centers são lugares que me lembram aquelas cidades em miniatura desenhadas em livros didáticos ou aquelas que existem em parques temáticos. Não há problemas. Sem mendigos, lixos ou qualquer outro problema urbano bem conhecido da gente. Olhamos, admiramos, sabemos que é uma imitação de cidade, mas dizemos que é muito parecida com uma cidade verdadeira. Tudo funciona direitinho. Shoppings são lugares com pouco ruído com luzes funcionais que não permitem espaços claros outros escuros e o tempo parece não passar. Estando dentro de um deles, não definimos se é dia ou noite lá fora. As superfícies são com vidros escuros deixando o tempo lá fora no cantinho do esquecimento. Estamos em uma cápsula espacial. Uma cápsula de consumo monitorado por câmeras sempre vigilantes. São iguais em qualquer lugar. Se circularmos por um shopping, com certeza, nos acharemos em qualquer outro. Inclusive porque achamos qualquer etiqueta do mundo em suas lojas e corredores. Identificamos suas senhas de acesso ao mundo do consumo. Essa cápsula apaga a cidade. Vira referência para seus habitantes. É, sem dúvida, o lugar de passeios familiares, encontros, um chope, comidas. As pessoas podem viver nele sem precisar sair de lá. Alguns compram, outros apenas admiram, mas nenhum se sente excluído. Vemos mulheres que alimentam bebês, crianças que dividem uma garrafa pet de refrigerante, jovens caminham com fones de ouvido, madames que compram freneticamente. Todos ‘podem’. Eis a máxima do capitalismo. Só não esqueçamos que uns podem mais que outros. Mas a vida no shopping continua indiferente com o alcance da grana dos seus freqüentadores. Nossos filhos encontram neles todos os objetos desejados e sonhados. Seus objetos de desejos estão lá expostos em marcas sedutoras. Está ali, basta escolher se a conta bancária permitir, claro. Crianças e jovens nos conduzem pelos corredores afinal, entendem tudo de shopping. Circulam com uma familiaridade de quem vive, e muito, os estímulos do lugar. Resta pensarmos mais um detalhe importantíssimo nessa conversa: aldeia global não é para todos. É ilusão acreditarmos que shoppings-cápsulas nos recebem, protegem e permitem a doce liberdade. Somo consumidores em potencial. Isso basta. Tudo é possível quandohá $$. Fica a dica Livro publicado em 1995 e já dava algumas dicas do que viria. Hoje vivemos o que o livro dizia ser o futuro. Exatamente por isso vale a leitura. A PUBLICIDADE É UM CADÁVER QUE NOS SORRI, de Oliviero Toscani.


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