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Luto não é depressão


Luto não é depressão

O luto é um processo que consiste em uma reação à perda e envolve uma adaptação à nova realidade, seja a perda de um ente querido por morte ou até mesmo luto por um divórcio, término de relacionamento (que são os lutos não reconhecidos). Tal transição exige um trabalho emocional e cognitivo e envolve uma sucessão de quadros clínicos que oscilam ao longo do processo, e não um conjunto de sintomas que iniciam após a perda e somem com o tempo.

São inúmeras as reações do luto em diversas dimensões (emocionais, físicas, cognitivas, comportamentais e espirituais). Muitas reações podem ser semelhantes a sintomas depressivos, principalmente quando falamos da experiência do luto agudo, incluindo a tristeza, insônia, falta de apetite, perda de peso, o desinteresse pelas questões sociais, apatia, sentimentos de desespero, de desamparo, exaustão física e psicológica.

Quando falamos do luto, torna-se importante ressaltar que as reações vem como ondas, há uma oscilação, além de estarem relacionadas à experiência da perda - o conteúdo dos pensamentos representam preocupações e memórias voltadas para a pessoa falecida, término de relacionamento ou o objeto perdido.

Na depressão, o humor deprimido tende a ser persistente sem estar relacionado a pensamentos ou preocupações específicas. A dor no processo existente do Luto pode estar acompanhada por emoções e humor positivos que são pouco caraterísticos da depressão.

Há diversos fatores a diferenciar e observar.

O luto pode ser complicado e pode estar associado a um processo de adoecimento, mas o luto não é uma doença. É um processo que precisa ser vivenciado - precisa haver espaço para o trabalho e a elaboração da perda.

É necessário conhecimento, técnica e um olhar cuidadoso para a especificidade de cada caso. Olhar para além dos sintomas - avaliar fatores de risco e de proteção, explorar recursos para o enfrentamento e ressignificação para a perda.

Em meus atendimentos clínicos com as pessoas enlutadas eu analiso, a partir do que aquele enlutado me apresenta, em que eu posso ajudá-lo. Há um diagnóstico. Falo sobre qual a maneira de acompanhar e tratar.

Em uma sociedade na qual a morte e a perda ainda são tabu e na qual não há espaço para a tristeza e para a escuta do outro, torna-se essencial o cuidado com a medicalização da dor e com o excesso de diagnósticos - muitas vezes eles operam para silenciar o sofrimento, e o processo de ressignificar, o que torna um pouco mais confuso o enfrentamento do processo e elaboração ao luto.

Você que está ou passou por um processo de perda, luto, como se sentiu? Teve acolhimento, escuta, espaço adequado para validar sua dor, seus sentimentos e pensamentos, neste momento tão singular?

A psicoterapia pode auxiliar neste processo. Se cuide!


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