Mundo Corporativo
Por Altevir Baron - baronaltevir@gmail.com
Altevir Baron é diretor de vendas, com trajetória marcada por liderança, ética e resultados no mercado imobiliário de alto padrão. Apaixonado por comportamento humano e cultura organizacional, escreve semanalmente sobre os bastidores do mundo corporativo. Suas reflexões unem experiência prática, pensamento crítico e olhar humano sobre empresas e pessoas Instagram: @abaronoficia | LinkedIN: altevirbaron
Planilhas não lideram pessoas
Existe um erro grave e cada vez mais comum nas organizações modernas: acreditar que liderar é acompanhar indicadores.
Nunca se produziu tantos relatórios. Nunca se falou tanto em KPIs, dashboards e métricas sofisticadas. E nunca houve tanta desconexão entre quem decide e quem executa.
Há líderes que dominam números, mas desconhecem pessoas. Conhecem o gráfico, mas não como a operação acontece. Sabem onde o resultado caiu, mas ignoram onde a energia da equipe se perdeu.
Liderar de trás da mesa é confortável. Não exige exposição. Não exige escuta. Não exige coragem.
Muitas empresas perdem mercado não por falta de indicadores e sim quando o distanciamento humano está evidente. Quando a relação esfria, a confiança desaparece. E sem confiança, não existe performance sustentável.
O líder que enxerga apenas números passa a tratar pessoas como peças ajustáveis, meros números e itens como uma maquina. Pessoas substituíveis. Descartáveis. E quando pessoas viram estatística, o engajamento vira um baile de máscaras cultural.
Outro equívoco recorrente é confundir cargo com liderança. Cargo concede autoridade formal. Liderança exige legitimidade. E legitimidade nasce da presença de espírito do líder, da coerência e da capacidade de lidar com gente e não com planilhas apenas.
Equipes lideradas por gestores com baixa inteligência emocional até podem entregar resultados no curto prazo, mas entram rapidamente em ciclos de desgaste, queda de desempenho e perda de talentos.
Os riscos desse modelo são evidentes: • decisões desconectadas da realidade • equipes apáticas • talentos desperdiçados • cultura organizacional sem criatividade • resultados instáveis e distorcidos. Então aparece o marketing a ilustrar e colocar um bom verniz brilhante de clima organizacional positivo tentando amenizar o problema e elevar o ânimo coletivo.
Mudar esse cenário exige ruptura.
Menos controle cego.
Mais presença real.
Menos discurso bonito.
Mais exemplo diário.
Indicadores são instrumentos.
Jamais substitutos da liderança.
Líderar é ter empatia. Ter tato humano. Capacidade de leitura de ambiente. Ter presença emocional. E sem a capacidade de inspirar, incluir e dar sentido, qualquer liderança se reduz a um cargo burocrático tipicamente ocupado pelo arcaico chefe.
Peter Drucker já escreveu: “Gerencie coisas. Lidere pessoas.”
Liderança não acontece atrás da mesa. Acontece no campo. No contato. No conflito. E na coragem de assumir responsabilidade por pessoas e junto delas não apenas por números, planilhas e relatórios. Pense nisso, melhore sempre.
