POLÊMICA

Imagem de Iemanjá foi destruída na praia do Atalaia

Caso levanta debate sobre vandalismo e intolerância religiosa

Escultura fica em ponto conhecido da praia do Atalaia (Foto: Camila Diel)
Escultura fica em ponto conhecido da praia do Atalaia (Foto: Camila Diel)

A imagem de Iemanjá foi novamente atacada em uma praia de Itajaí, e, desta vez, o estrago foi ainda maior. Fotos registradas na quarta-feira mostram a escultura em estado bem mais grave do que no começo da semana, quando o rosto da orixá já havia sido arrancado.

A imagem fica na rua deputado Francisco Evaristo Canziani, na praia do Atalaia, na primeira curva após a Associação dos Servidores Públicos do Porto de Itajaí, no sentido Bico do Papagaio. O ponto é conhecido e bastante frequentado por moradores e turistas.

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No início da semana, imagens que circularam nas redes sociais mostravam a estátua sem o rosto. Agora, a destruição avançou. Houve uma tentativa de remendo, mas o reparo não se sustentou e a escultura voltou a ser danificada em outros pontos. A cabeça aparece novamente quebrada, com grande parte do rosto arrancado. O interior da imagem ficou exposto, com buracos visíveis na região do pescoço e do peito, além de rachaduras pelo corpo. As mãos seguem intactas, mas o restante da estrutura apresenta sinais de destruição.

 

Foi intolerância religiosa?

A nova depredação gerou revolta nas redes sociais, com questionamentos sobre a possibilidade de intolerância religiosa. No entanto, segundo o pai de santo André Trindade, que também é proprietário de uma loja de artigos religiosos, não é possível afirmar, neste momento, que se trate de um ataque motivado por preconceito.

Ele explica que a imagem do Atalaia é feita de gesso, material considerado frágil para ficar exposto ao tempo. Com infiltração e excesso de chuva, o gesso perde resistência e pode se soltar inteiro, em vez de quebrar em pedaços. Para ele, o fato de o rosto ter sido arrancado praticamente inteiro indica que o material já estava comprometido pela umidade. Na avaliação dele, se houvesse um ataque claro por intolerância religiosa, outras imagens ligadas à mesma religião poderiam ter sido alvo, o que não aconteceu.

Outro ponto que chamou a atenção foi o fato de o rosto ter aparecido ao lado da própria escultura. Para o pai de santo, isso abre diferentes possibilidades: desde alguém que puxou ou encostou na imagem já fragilizada até uma ação de vandalismo sem motivação religiosa clara. Segundo ele, se a intenção fosse destruir completamente, o rosto poderia ter sido quebrado ou levado embora.

Apesar das dúvidas sobre a causa, André defende que o caso expõe um problema antigo: a falta de atenção com símbolos ligados às religiões de matriz africana na cidade. Ele afirma que episódios envolvendo imagens religiosas e até dificuldades enfrentadas pela Caminhada de Iemanjá já aconteceram e acabaram sendo ignorados pelo poder público.

O que diz a prefeitura

A prefeitura informou que não recebeu qualquer solicitação de autorização ou manutenção para a estátua religiosa. Segundo o município, como não há responsabilidade legal do poder público sobre o monumento, a prefeitura e suas secretarias estão isentas de obrigação de manutenção.

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A administração também informou que a imagem é recente e não aparece em registros do Google Maps de seis meses atrás.



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