ITAJAÍ
MP denuncia pai de Isabela por sequestro, feminicídio e ocultação de cadáver
Crime aconteceu em contexto de violência doméstica e pede indenização mínima de R$ 100 mil à família
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O desaparecimento de Isabela Borck, de 17 anos, aluna do Terceirão do Colégio Salesiano, que mobilizou buscas por meses, terminou em tragédia e agora em denúncia por feminicídio contra o pai dela, A.B., de 45 anos. O Ministério Público apontou que ele sequestrou, matou e ocultou o corpo da própria filha em crime praticado no contexto da violência doméstica. O caso foi denunciado ao poder judiciário que, se acatar a denúncia, coloca A.B. no banco dos réus.
A promotora Micaela Cristina Villain, da 1ª Promotoria de Justiça de Itajaí, afirma que a adolescente foi retirada de casa na madrugada de 30 de novembro de 2025. Segundo o MPSC, o acusado teria usado um taser para ameaçar e dominar a vítima antes de colocá-la em um veículo e levá-la para um local ermo, na zona rural do município.
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De acordo com a denúncia, entre a madrugada de 30 de novembro e 1º de dezembro, o homem teria matado a filha ainda em Itajaí. O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por vingança após a condenação do acusado a 16 anos de prisão por crimes sexuais cometidos contra a menor.
A acusação aponta ainda o emprego de meio cruel e de recursos que dificultaram a defesa da vítima, como a imobilização com abraçadeiras plásticas e o uso de fita adesiva.
Após o feminicídio, o homem teria levado o corpo até um sítio de sua propriedade, em Caraá (RS), onde teria ocultado o cadáver em uma valeta, em área de mata, cobrindo-o com lona e pedras. O corpo só foi encontrado em 16 de janeiro de 2026.
O denunciado, identificado pelas iniciais A.B., de 45 anos, responde por sequestro qualificado, feminicídio majorado e ocultação de cadáver. Na denúncia, o Ministério Público pede o recebimento da acusação, que o réu seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima, a título de reparação pelos danos causados.
“Acompanhamos este caso desde o registro do desaparecimento da adolescente. Foi uma investigação dolorosa, que revelou uma sequência de violências extremamente graves dentro do próprio ambiente familiar. A denúncia apresentada pelo Ministério Público representa um passo essencial para a busca de Justiça e para a proteção de meninas e mulheres em situação de violência”, destacou a promotora.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
